Table of Contents Table of Contents
Previous Page  277 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 277 / 332 Next Page
Page Background

Eduardo Gomes da Silva Filho

277

tinham para conosco não significava que queriam

nos ver [...] não podia negar que eles tinham. Mas

pelo contrário, isso era um sintoma que em breve

nos haveriam de massacrar porque esse era o cos-

tume deles (SCHWADE, 2013).

Essas justificativas dadas pelos funcioná-

rios da FUNAI tentavam criar novamente a imagem

dos Waimiri-Atroari como “matadores de branco”.

Todavia elas não poderiam servir de parâmetro para

justificar ações dos missionários nas terras indíge-

nas, já que pelos relatos descritos por eles, esta re-

lação era amigável. Portanto, isso se configura muito

mais como uma estratégia por parte da FUNAI para

tentar quebrar a aliança dos índios com os missio-

nários, do que propriamente uma possível ação dos

indígenas.

122

De acordo com Egydio, um dos motivos

mais fortes da época para que a FUNAI fosse con-

trária a sua permanência na aldeia era construção

da Hidrelétrica de Balbina, nesse sentido, o pesqui-

sador do INPA Philip Fearnside, publicou um artigo

criticando abertamente Balbina, como podemos ob-

servar logo abaixo:

Balbina é um dos projetos conhecidos no Brasil

como “obras faraônicas”. Assim como as pirâmi-

des do antigo Egito, estas maciças obras públicas

exigem os esforços de uma sociedade inteira para

se completar, apesar de não trazer praticamente

nenhum retorno econômico. Mesmo que as estru-

turas sejam simplesmente construídas e abando-

nadas, elas servem a interesses de curto prazo dos

envolvidos, desde as firmas que recebem contra-

tos de construção até políticos que querem para

os seus distritos empregos e facilidades comerciais

gerados pelos projetos durante a fase de constru-

ção (FEARNSIDE, 1990, p. 11).

122 É válido ressaltar que isso também ocorreu com alguns antropólogos

que “desagradaram” os interesses da FUNAI, como nos casos das ex-

pulsões do Stephen Baines e do Márcio Silva da área indígena.