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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
lendas e de sua história. E o próprio esforço de
decodificação das mensagens nos leva também a
revelar a eles alguns fatos de nosso mundo. Pouco
a pouco, a cosmovisão vai-se abrindo de parte a
parte, e eles e nós vamos sentindo a importância
do chão, da terra para o desenvolvimento e forta-
lecimento de toda essa riqueza cultural, e nos sen-
timos dia a dia mais compromissados na luta pela
sua garantia, desenvolvimento e autodeterminação
(SCHWADE; MÜLLER – CIMI/OPAN, 1986, p. 5).
Ainda de acordo com o documento, os mis-
sionários descreveram o material didático utilizado
nas aulas, como lápis grafite e colorido, quadro e giz,
borrachas, papel ofício e caderno. O conjunto desses
materiais proporcionaram as condições necessárias
para a produção da escrita indígena.
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Com o avanço das aulas, pouco a pouco, par-
te da história recente deste povo foi se revelando.
De acordo com um artigo escrito pelo professor José
Ribamar Bessa Freire, os índios Waimiri-Atroari pas-
saram por situações difíceis nas mãos dos militares
e das empresas mineradoras, alguns deles encon-
trando refúgio justamente na aldeia Yawará, como
podemos observar em um fragmento do seu texto,
reproduzido abaixo:
Alguns sobreviventes refugiados na aldeia Yawará
conviveram durante dois anos com Egydio e Doroti.
Lá, todas as pessoas acima de dez anos eram órfãs,
exceto duas irmãs, cuja mãe sobreviveu ao massa-
cre. [...] A eles se somaram outros de uma lista feita
por Yaba: Mawé, Xiwya, Mayede - marido de Wada,
Eriwixi, Waiba, Samyamî - mãe de Xeree, Pikibda,
a pequena Pitxenme, Maderê, Wairá - mulher de
Amiko, Pautxi - marido de Woxkî, Arpaxi - marido
de Sidé, Wepînî - filho de Elsa, Kixii e seu marido
Maiká, Paruwá e sua filha Ida, Waheri, Suá - pai
121 De acordo com o documento, o caderno era utilizado somente para
anotações pessoais em sala de aula e as folhas de papel ofício serviam
para a reprodução dos desenhos dos índios.




