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Eduardo Gomes da Silva Filho

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procurou articular a alfabetização na língua mater-

na Waimiri-Atroari com um trabalho de valorização

das memórias recentes desse povo.

117

De acordo com

Egydio, a experiência começara de forma fascinan-

te, com intensa participação dos índios, no entanto,

algumas críticas às condições do prédio foram feitas

pelo casal de missionários como veremos abaixo:

Mal havíamos dado os nossos primeiros passos na

aldeia, quando fomos levados para dentro da es-

cola, sem sequer termos tempo para preparar a 1ª

aula, tal era a exigência dos índios e a situação de

frustração frente a um prédio escolar que há mais

de um ano decaia sem aproveitamento algum, ape-

sar da grande vontade de terem aula (SCHWADE;

MÜLLER, 1986, p. 4).

De acordo com Egydio, a vontade dos índios,

em participar das aulas, surgira a partir da neces-

sidade que eles tinham de evidenciar as atrocidades

cometidas pelos militares aos seus antepassados.

Isso de fato desagradou a FUNAI, que não queria

ter a sua imagem associada às práticas genocidas

do Estado brasileiro frente aos índios. Na realidade,

com a evidência das memórias, os índios buscavam

de alguma forma alertar a sociedade civil de tais prá-

ticas, partindo das ações de organização social do

grupo.

Por outro lado, o contato interétnico facilitou

essas pretensões, na medida em que a relação dos

índios com os missionários era harmoniosa, fato que

117 É válido salientar, que de acordo com um documento escrito por

Egydio e Doroti Schwade para a participação em um congresso em

Brasília, no ano de 1986, chamado: “A Escola indígena e o ABC”, a

presença deles na região dos índios começou por volta do mês de

junho de 1980 e “deve-se unicamente por motivo do desejo de respal-

dar, dar apoio e ser uma presença amiga ao povo kiña [...]. A repres-

são da FUNAI contra o trabalho da igreja católica ou mais precisa-

mente do CIMI, também nos atingiu [...]”(SCHWADE; M

Ü

LLER, 1986,

p. 2).