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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
lacionados aos projetos de mineração e da constru-
ção a Hidrelétrica de Balbina. Porém, como consta
no documento, um dos seus principais objetivos era
tentar achar uma maneira de “acalmar” os índios.
Essa missão dada pela FUNAI ficou a cargo
do sertanista José Porfírio Fontenele de Carvalho, -
que na época era assessor da presidência da FUNAI-,
do Delegado da 1ª Diretoria Regional Sebastião
Amâncio, do Antropólogo Paulo Heringer Filho, do
técnico indigenista Egypcio Nunes Correia, do advo-
gado do CIMI Felisberto Damasceno, do antropólo-
go da UnB Stephen Grant Baines e do indigenista e
missionário do CIMI, Egydio Schwade. Isso pode ser
confirmado a partir da fala do próprio Egydio, que
nos relatou como se deu parte deste processo.
E entrou um presidente que começou, inclusive,
um primeiro programa, né? Foi esse de fazer, de
mudar a política indigenista dos Waimiri-Atroari. E
ele criou o grupo de estudos e trabalho, né, integra-
do por diversas coisas, Stephen Baines que inte-
grou, eu, Doroti, minha esposa, a nossa família foi
toda junto, e mais alguns funcionários da FUNAI,
um advogado do CIMI, e assim era uma equipe bem
diversificada, né? E aí nós realmente reorganiza-
mos assim uma proposta de trabalho nova, né, que
iniciou exatamente na aldeia lá de (Yawará) lá que
a gente depois iniciou também, o projeto de alfabe-
tização na língua deles, não é? E isso foi então em
meados de 1985, né, que foi decidido nessa reunião
essa ida nossa para lá. E foi realmente, foi [...] bom
(SCHWADE, 2013).
116
Após a consolidação do grupo de estudos e
trabalhos criado pela FUNAI, o casal de missioná-
rios iniciou suas atividades na aldeia Yawará, onde
116 Durante o período em que estiveram na aldeia, à família Schwade
conviveu pacificamente com os índios, colocando em prática o pro-
cesso de alfabetização baseado, segundo Egydio, no método de Paulo
Freire, que consistia na produção de desenhos feitos pelos índios que
resgatavam as suas memórias.




