Eduardo Gomes da Silva Filho
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trabalho junto ao povo Waimiri-Atroari. A tarefa foi
muito difícil por conta do bloqueio, da perseguição
e da difamação perpetrada por agentes da Ditadura
Militar e de gananciosos que promoviam o exter-
mínio daquele povo para se apossar e expropriar
o território. Doroti e eu nos localizamos primeiro
na sede da Prelazia, em Itacoatiara, inserindo-nos
na Pastoral, fazendo levantamentos no entorno da
área Waimiri-Atroari e fazendo contatos com algu-
mas aldeias, mesmo estando proibidos pelos Di-
tadores. Para permanecer mais próximos da área
indígena estabelecemo-nos, no inicio de 1984 no
recém-criado município de Presidente Figueiredo.
Com o fim da Ditadura Militar fomos convidados
pelos índios e autorizados pela FUNAI a participar
da vida em suas aldeias, iniciando o primeiro tra-
balho de alfabetização em sua língua materna. Pela
primeira vez o povo Waimiri-Atroari ou Kiña, como
se autodenominam, começou a revelar o que lhe
aconteceu durante a Ditadura Militar (SCHWADE,
2013, p. 1).
Nessa ótica, o missionário nos forneceu os
elementos necessários para que nós compreendês-
semos compreender o período que antecedeu sua
entrada na terra indígena, assim como nos alertou
para a política do regime civil-militar com os índios.
No entanto, ainda tomando como base o seu depoi-
mento, podemos observar que ele obteve uma auto-
rização para entrar na aldeia, a sua intenção sempre
foi à defesa dos direitos dos povos indígenas e na-
quele momento, ele estava imbuído de alfabetizá-los
em sua própria língua materna como consta no seu
depoimento.
Para que isso fosse possível, inicialmente ela
criou um grupo de estudos por meio da Portaria nº
1898, de 03 de julho de 1985, que segundo o docu-
mento, reuniu a convite do órgão uma série de indi-
genistas, para discutir entre outras coisas, o que a
FUNAI classificou como uma relação conflituosa en-
tre os índios e seus servidores, além de assuntos re-




