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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
uma ilhazinha no meio, e tinha desviado as águas
para um lado da ilha, né? E aí a gente chegou ali
e viu [...], ficamos observando depois então já co-
meçamos com a família toda, né? A tomar contato.
Aliás, a maior parte do tempo [...], quando já para
tomar contato sempre nos apresentamos como a
família toda, crianças pequenas, o Adu era peque-
nininho, né, tinha 3 anos; não, 4 anos. O Agioli, o
mais velho, tinha 5, 6, né, uns 5 anos. Mas quando
fizemos os contatos ainda menos, 1 ou 2 anos eram
pequenos. Mas assim mesmo a gente ia com a fa-
mília, né? Primeiro começamos pelo sul e depois
um padre, dois padres, né, de uma paróquia de São
Luís do Anauá, nos a [...] a gente fazia um trabalho
conjunto, eu ajudava na catequese, lá na paróquia
dele, um pouco eu e a minha esposa. E nos cursos
de formação, do pessoal. E ele então nos apoiou
com o carro (SCHWADE, 2013).
O início dessa experiência relatada por Egydio
remonta parte da sua estratégia para conviver com
os índios, onde ele nos retratou, com riqueza de de-
talhes e com um semblante que transbordava emo-
ção, a experiência missionária que ele vivenciou com
a sua própria família na terra indígena. Essas narra-
tivas denotam, também, além do seu relacionamento
com os índios, o cotidiano com os funcionários da
FUNAI, alguns conflitos e as práticas de resistência
indígena que Egydio teve a oportunidade de presen-
ciar pessoalmente, como ele mesmo relatou acima.
No entanto, antes de entrarmos nesta discussão,
tentamos reconstituir a trajetória anterior do casal
Schwade à entrada na aldeia Waimiri-Atroari, como
citou Egydio em um dos seus artigos publicados no
Blog da Casa da cultura do Urubuí, no ano de 2013.
Em 1978 nos casamos. Naquele momento eu era
então Secretário Executivo do CIMI Nacional, cujo
trabalho continuamos até 1980. Naquele ano vie-
mos, a convite de Dom Jorge Marskell, bispo da
Prelazia de Itacoatiara/AM, assumir a Pastoral In-
dígena desta Prelazia, em especial para iniciar um




