Eduardo Gomes da Silva Filho
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aos índios Waimiri-Atroari, entre os anos de 1985 e
1986, a história de resistência desse povo. Nessa óti-
ca, a formação dessa memória só se fez possível, em
razão da demonstração cultural dos seus costumes
e tradições. Deste modo, as formas de organização
social e cultural desse povo estão intrinsecamente
ligadas a sua própria cosmologia. Acerca da expe-
riência, Egydio Schwade comentou:
Olha, ela aconteceu em 1985 e 86, né? Nós estive-
mos lá um ano e meio, aproximadamente, né? E
foi uma experiência das mais ricas da minha vida,
né? Porque, inclusive, assim, é [...] eu tinha ouvido
muito, não é? Inclusive eu vim com a família para
cá exatamente para tomar esse contato porque eu
sempre [...] durante os anos anteriores em que eu
fui também Secretário Executivo no CIMI Nacional
durante 7 anos, que foi [...] eu sempre escutei, né,
todo o sofrimento desse povo, né? E a maneira bru-
tal com que foi tratado, não é, pelo Exército e com
o apoio sempre da FUNAI, na época. E principal-
mente também essa apresentação deles ao público,
sempre como assassinos e funcionários da FUNAI,
como assassinos de todo mundo que entrasse lá,
né, e tal. Então como terroristas. Aí como os ame-
ricanos tratam todo mundo contra eles, terroristas
semelhantemente era, então, os maiores terroristas
do país eram os Waimiri-Atroari. Aí então eu tinha
certeza de que isso, isso é um mito criado pela FU-
NAI contra esse povo, não é? E que tinha que ser
desmanchado, né? E aí nós [...] quando eu cheguei
aqui no [...] me estabeleci aí, quando eu me estabe-
leci aqui no norte, iniciei lá em Itacoatiara, ficando
à distância, né? Porque eu era proibido, na época,
pelos militares, de entrar em qualquer área indíge-
na do país. E isso... e então eu não queria, assim,
provocar de cara isso, né? Isso. E aí então, nós,
eu e a minha esposa, começamos um processo de
cercar. Primeiro ela começou pelo Rio Negro, tomar
contatos de como é que a gente pudesse se apro-
ximar de alguma aldeia, né? Aí depois fizemos por
Roraima, conhecer tudo em volta, né? Daí, viemos
pelo rio Uatumã quando Balbina não existia, quer
dizer, estavam começando, tinham desviado, tinha




