Eduardo Gomes da Silva Filho
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PREFÁCIO
Mariana, Minas Gerais: “maior desastre eco-
lógico da História do Brasil”. A que serviu a mor-
te dos índios de Minas? A quem favoreceram 400
anos de exploração das Minas Gerais, se as águas
do Rio Doce, veia aorta dos Estados de Minas Gerais
e Espírito Santo se tornaram imprestáveis ao uso
humano?
Autoridades e empresários, em conluio há
400 anos, saqueiam as riquezas minerais, depredam
as florestas e destroem a biodiversidade, insensíveis
aos prejuízos que causam ao povo local e às nações.
É esta mesma mentalidade retrógrada que agride,
depreda e saqueia hoje a Amazônia. Para dar conti-
nuidade a este crime, ainda recebem os maiores in-
centivos já vistos na história do Brasil: agronegócio,
180.000 bilhões de reais, Belo Monte, 30 bilhões e a
legislação se escancara a cada ano para atender as
mineradoras, fora e dentro das áreas indígenas.
A partir do caso Waimiri-Atroari o livro de
Eduardo Gomes questiona todo o processo de entre-
ga dos territórios indígenas da Amazônia às grandes
empresas, instrumentos de desterritorialização dos
povos.
Mas Eduardo relata como se deu o proces-
so de espoliação do povo Waimiri-Atroari, os órgãos
públicos envolvidos, as empresas. Mas também a
resistência do povo indígena e forças da sociedade,
entidades e pessoas, que se colocaram e colocam ao
seu lado, questionando, denunciando e defendendo
a gente agredida nos seus direitos, apontando aos
órgãos do Governo os caminhos da justiça.
A BR-174 trouxe a morte e a destruição para
o povo Waimiri-Atroari, “[...] tive a breve oportuni-
dade de conversar com o filho do Comprido, – rela-




