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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
atendidos por uma jovem índia, que segundo ela, era
da etnia Wapixana, pois o PWA recruta índios de ou-
tras etnias para fins comercias em suas lojas. Ela nos
mostrou alguns produtos e desta vez, por via das dú-
vidas, nós estávamos também com dinheiro em mãos
para adquiri-los sem maiores contratempos.
Desta vez, escolhemos apenas uma camisa e
um livro, mas para a nossa surpresa, ao chegarmos
ao caixa para efetuarmos o pagamento, o preço dos
mesmos produtos que nós tínhamos escolhido um
dia antes no Ministério Público Federal - MPF e que
levaríamos naquela oportunidade, custava naquela
loja do PWA o dobro. Mesmo assim, levamos a mer-
cadoria para casa, pois o livro em questão, do José
Porfírio de Carvalho, foi importante nesta pesquisa.
Nesse sentido, achamos muito estranho a
majoração dos preços dos produtos na loja do PWA,
em 100%. Todavia, tivemos um segundo momento
em que também constatamos isso, quando nos des-
locamos para a viagem à cidade de Boa Vista, com o
objetivo de fazermos uma pesquisa de campo junto
ao 6º BEC. Aproveitando a oportunidade, nos diri-
gimos até o Centro Multicultural da Cidade de Boa
Vista no dia 13 de dezembro de 2013, onde tivemos a
oportunidade de entrevistarmos a D. Francisca, que
trabalha em um dos boxes daquele Centro Cultural
com produtos artesanais feitos pelos Waimiri-
Atroari. A esse respeito, D. Francisca comentou:
Eles chegam aqui com muita coisa, às vezes eles
vêm bêbados querendo trocar caça por dinhei-
ro, além das artes que eles produzem, a caça eu
não compro não, pois o IBAMA e a Polícia Federal
já esteve aqui, mas os produtos eu compro, eles
vendem baratinho, um colar é um real, um arco
e flecha é três e essa bolsa que você quer custa
cinco. Eles também vendem seus produtos para o
Programa Waimiri-Atroari por esse preço (D. Fran-
cisca, 2013).




