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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

de campo do próprio Márcio Silva, a população indí-

gena era de 420 indivíduos.

Essas divergências entre os dados apresen-

tados pelo pesquisador e pelo PWA, já nos davam

mostras da falta de uma maior atenção por parte do

convênio firmado entre a FUNAI e a Eletronorte, no

tocante à questão demográfica dos índios. Por ou-

tro lado, esses mesmo dados trouxeram à tona uma

triste realidade, ou seja, que a taxa populacional dos

índios havia caído assustadoramente, desde que eles

começaram a resistir frente às ações do Governo ci-

vil-militar em seu território, que apontava, de acor-

do com dados do Marewa (1983), que entre os anos

de 1968 e 1972, havia 3.000 mil índios no mesmo

território.

A partir do início da administração do PWA,

só conhecemos a divulgação dos dados demográficos

dos índios que são divulgados pelo Programa, pois

segundo Márcio Silva “[...] a Área Waimiri-Atroari

passou a ser de acesso proibido a qualquer pesqui-

sador ou agência não relacionados a esses órgãos”

(SILVA, 1991, p. 2).

108

Essa operação de blindagem poderá ser com-

preendida mais claramente, a partir da análise dos

recursos disponibilizados ao PWA, provenientes do

convênio FUNAI/Eletronorte. No entanto, o próprio

Programa não deveria assumir essa postura autori-

tária e tutelar, pois estes recursos são provenientes

do dinheiro público. Por conseguinte, o PWA argu-

menta que parte do Programa é autossutentável, a

108 A afirmação feita por Márcio Silva ficou evidente ao longo dos mais de

25 anos da administração do Programa, haja vista que outros pesqui-

sadores também foram impedidos de realizar suas pesquisas na área

indígena, como no caso da nossa experiência relatada anteriormente,

onde o PWA não autorizou o nosso acesso, mesmo com o pedido for-

mal de autorização de pesquisador em mãos, com o devido respaldo

do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal

do Amazonas.