Eduardo Gomes da Silva Filho
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ria um custo”, todavia o mesmo não especificou de
quanto seria o investimento da nossa parte, limitan-
do-se apenas a dizer que cobraria por isso.
Após a nossa insistência, ele também nos
deu uma satisfação em relação ao pedido de entrada
na aldeia, alegando que o levaria ao conhecimento
das lideranças indígenas, esclarecendo que ele não
poderia intervir, qualquer que fosse a decisão toma-
da pelos índios.
Enquanto isso, o Sr. Marcelo Cavalcante nos
olhava dos pés cabeça, com uma postura altiva e
um semblante questionador. A visita foi encerrada
sob a promessa de um breve retorno por parte do
Programa, nesse sentido, isso seria perfeitamente
possível, haja vista que todos os nossos contatos es-
tavam à disposição deles.
No entanto, os meses se passaram e nada de
um retorno formal, a esta altura dos acontecimen-
tos, este silêncio deve-se possivelmente ao conheci-
mento do Programa a respeito de uma publicação
nossa que acabara de sair na Revista da Anpuh, do
Ceará, que abordava justamente o tema da política
indigenista praticada pela FUNAI e PWA no caso da
Usina Hidrelétrica de Balbina.102
Portanto, tentamos por várias vezes contatos
via e-mail, que não foram respondidos. Mais uma
vez, para a nossa surpresa, o mês de março de 2014,
trouxe-nos ao Estado do Amazonas e, em particular,
a Terra indígena Waimiri-Atroari, uma personalidade
102 Isso trata-se de uma prática costumeira do PWA, ou seja, uma estra-
tégia elaborada para manter pesquisadores afastados das comunida-
des Waimiri-Atroari, remetendo a uma suposta autonomia indígena,
pois teoricamente, são as lideranças indígenas que, nunca aparecem,
que vetam a entrada de estranhos nas aldeias.
A esse respeito Cf. SILVA FILHO, Eduardo Gomes da. “
A Política
Indigenista e a Resistência dos Waimiri-Atroari no Caso Balbina, 1979
a 2012
”. Revista Embornal-Anpuh
,
CE, v. 3, nº 6, p. 33-48, 2012.
Edição 2013.




