228
Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
mos a liberação da pesquisa no acervo documental
do Programa, porém, esse pleito ficou novamente em
segundo plano, sob a justificativa de que precisaria
ser analisado pelas lideranças indígenas.
Em decorrência disso, ele nos deixou a espe-
ra por algum tempo pela decisão em uma sala pró-
xima da recepção. Cerca de meia hora depois, para
a nossa surpresa, fomos conduzidos para a sala que
seria realizada a referida reunião. Caminhamos a
passos lentos, e logo em seguida, ao adentrarmos
no recinto, fomos recebidos, não pelas lideranças in-
dígenas, mas pelo “papai” dos Waimiri, o Sr. José
Porfírio Fontenele de Carvalho.
Conversarmos por, aproximadamente, uma
hora e quarenta minutos, onde ele me confessara que
havia até faltado uma audiência na justiça para sa-
ber “das nossas pretensões junto ao seu Programa”.
Sim, foram essas mesmas as palavras que ele utili-
zara. Durante a conversa, ele nos relatou a sua ex-
periência frente ao PWA. E aproveitando o ensejo,
solicitamos novamente o acesso à documentação do
Programa, além de ratificarmos a nossa intenção de
visitarmos uma das aldeias Waimiri-Atroari.
No entanto, O Sr. Porfírio começou a fazer
uma série de questionamentos, um deles foi enfá-
tico: “Você conhece o Egydio?” perguntara ele; além
disso, colocou várias condições para que nós subme-
têssemos o nosso pedido, como a anexação das nos-
sas publicações referentes ao tema, além do nosso
projeto de pesquisa, para que tudo isso fosse “supos-
tamente” analisado pelas lideranças indígenas.
No caso da documentação, o Sr. Porfírio de
Carvalho orientou a fazermos um pedido formal, no
entanto, nós já o havíamos feito i, a mesma orienta-
ção foi dada para a possível visita à aldeia. Porém,
isso tudo teria algumas condições: em relação aos
documentos, fomos avisados por ele que “isso te-




