Eduardo Gomes da Silva Filho
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Logo em seguida, tive a breve oportunidade de
conversar com o filho de Comprido, que foi uma das
antigas lideranças indígenas dos Waimiri-Atroari, na
época em que os militares estavam construindo a BR
174 no seu território e travando uma guerra genoci-
da contra os Waimiri. Relatei rapidamente parte de
uma entrevista que nós tínhamos feito com Egydio
Schwade, em Presidente Figueiredo, acerca da pos-
sível morte de um dos seus parentes pelo Exército,
que reproduziremos parcialmente a seguir: “Quer di-
zer [...] aí já tinha, provavelmente, matado alguns
deles. Inclusive naquele massacre, tem uma suspei-
ta forte que morreu o sobrinho do Comprido, que foi
o líder principal da parte norte do Alalaú, direita [...]
da margem direita do Alalaú” (SCHWADE, 2013).
Após o ouvir o nosso depoimento, o índio co-
meçou a chorar copiosamente e nos confirmou com
a voz trêmula, “foi isso mesmo que aconteceu” e re-
petiu, “foi isso mesmo que aconteceu”! Após o episó-
dio, pedimos para tirar uma fotografia dele e ele foi
enfático ao responder: “Não posso, papai não deixa”,
em uma alusão a forma como parte dos índios se
refere ao Sr. Porfírio de Carvalho.
Após esta recusa, ficamos um tanto quanto
apreensivos em relação à aprovação do nosso pedi-
do, muito embora o Sr. Walter Blos tenha garantido
que encaminharia o nosso pleito aos índios e retor-
naria com brevidade, via e-mail, a nossa solicitação.
Todavia, passados dez dias da nossa primeira visita,
um contato, via e-mail, foi feito, convidando-nos a
retornarmos ao PWA, desta feita para uma reunião
novamente com os Srs. Walter Blos e Marcelo de
Souza Cavalcante, Gerente Administrativo do PWA.
Portanto, como combinado previamente, che-
gamos, pontualmente, na reunião às 09h:30min,
do dia 31 de outubro de 2013, e fomos recebidos
pelo Sr. Walter Blos. Aproveitamos para ratificar-




