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Eduardo Gomes da Silva Filho

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passado. Contudo, à época da construção da UHE

de Balbina, tentou-se construir um discurso de que

toda essa região encontrava-se totalmente desocu-

pada pelos Waimiri-Atroari.

Nessa ótica, começaram a surgir várias teo-

rias em relação à construção da Hidrelétrica de

Balbina, as mais otimistas sem dúvida alguma eram

por parte do Governo, que alardeava aos quatro can-

tos que sua construção iria solucionar o problema

da demanda energética da cidade de Manaus. Por

outro lado, havia a preocupação de antropólogos e

ambientalistas com os possíveis impactos nas comu-

nidades tradicionais e os danos ambientais que esta

obra causaria.

De acordo com um estudo produzido pela

Diretoria de Assuntos Fundiários - DAF, o rio

Uatumã, cujo represamento deu origem ao reserva-

tório da Hidrelétrica de Balbina, aparece em diversos

documentos como uma das referências territoriais

mais importantes dos Waimiri-Atroari. O próprio re-

gistro cartográfico desse rio parece ter sido objeto

de manipulação, com vistas à redefinição da área

reservada pela União a este povo, pelo Decreto nº

68.907/71, ocorrendo a substituição do nome do

seu curso superior de Uatumã para Pitinga.

Esse assunto chamou a atenção da

Eletronorte que já sabia que seria contestada pe-

los possíveis impactos causados pela construção

da Hidrelétrica. Dessa forma, o Presidente Raul

Garcia Llano e o Diretor Técnico Fausto Cesar Vaz

Guimarães, enviaram no dia 15 de janeiro de 1979,

um documento direcionado ao Presidente da FUNAI,

em exercício, o General Ismarth de Araújo Oliveira,

alertando-o sobre a possível interferência do reser-

vatório da Usina Hidrelétrica de Balbina, na Reserva

Indígena Waimiri-Atroari. É válido ressaltar, que os

entendimentos entre a FUNAI e a Eletronorte para