Eduardo Gomes da Silva Filho
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que se tratava de uma área muito plana e rasa, fato
que dificultava a dinâmica da geração de energia.
Com isso, a diferença entre a área inundada e a ca-
pacidade de produção de energia tornou-se enorme.
Por exemplo, a usina Hidrelétrica de Tucuruí,
localizada no Estado do Pará, também foi responsá-
vel pelo alagamento de uma grande área do território
tradicionalmente ocupado pelos índios Parakanãs,
com, aproximadamente, 2,4 mil km² de represamen-
to do rio Tocantins, a diferença é que Tucuruí tem
força suficiente para sustentar uma Usina de 4.245
MW, que, por sua vez, é 17 vezes superior ao poten-
cial de geração energética projetada para Balbina.
Sobre este fato Egydio comentou:
Não tem energia, parece que não tem energia hi-
drelétrica no mundo, que é tão cara, conseguiram
achar até hoje como é essa aí. Eu não sei quan-
to custa o
Megawatts
, mas é um troço absurdo.
Na época até [...], eu tenho os cálculos por aí, tem
como ver, frente à Tucuruí, por exemplo. Tucuruí
não gasta um terço, não é do
Megawatts
? (SCH-
WADE, 2013).
De acordo com Philip Fearnside (1990), a
Usina Hidrelétrica de Balbina foi, inicialmente,
“Projetada para acabar com os problemas energéti-
cos de Manaus, a Usina revelou-se desastrosa em to-
dos os aspectos – técnico, financeiro, social e ecológi-
co. Inundou 2.360 mil km
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de floresta, sem qualquer
aproveitamento [...]” (FEARNSIDE, 1990, p. 36).
Pode-se dizer que, a política de desenvolvi-
mento econômico do Estado brasileiro, e, em espe-
cial, para a Amazônia, tem no arbitrário e na ex-
clusão dos grupos sociais, diretamente implicados,
seus principais topos. Escudado em discursos que
apelam para a universalidade, o bem comum e/ou
aspectos “técnicos”, o Estado coisifica comunida-




