Eduardo Gomes da Silva Filho
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ninguém o que estava ocorrendo no território indí-
gena Waimiri-Atroari, ao ponto do Jornal fazer o se-
guinte questionamento:
Ninguém será capaz de contar a trajetória mira-
culosa da Paranapanema de alguns anos para cá?
Seu diretor presidente Otávio Lacombe; seu maior
acionista, o notório Zé Milionário; e o seu maior
manipulador nas Bolsas, o também notório ban-
queiro e passador de cheques sem fundos, Ângelo
Calmom de Sá, talvez pudessem explicar a história
dessa mágica maquiavélica. Há poucos anos a Em-
presa estava às vésperas da falência. Agora domina
toda a Amazônia, está em toda parte, e gozando
sempre de faustosos e generosos incentivos fiscais.
Mas ainda quer mais, [...] a Paranapanema, “filhi-
nha querida” de todos os poderosos [...]” (TRIBUNA
DA IMPRENSA, 1989).
A explicação para o enriquecimento ilícito
do Grupo Paranapanema, pode ser compreendida a
partir do mapeamento das suas ações em diversas
reservas indígenas, entre elas estão “
Pari-cachoeira
;
Igarapen-preto
;
Tenharim
/
Transamazônica
;
Kaiapon
;
Nhamunda
hi Mapuera
;
Yanomami
e
Eaimiri-Atroari
”
[
sic
] (Ibid.).
O periódico segue relatando os fatos, desta
feita, concentrando sua denúncia no povo Waimiri-
Atroari, que foi uma das etnias mais exploradas pelo
grupo, mesmo diante de todo o processo de resistên-
cia evidenciado ao longo dos anos em que ocorreram
as ações exploratórias, vejamos:
Nessa reserva, os Waimiri-Atroari foram primeiro
sendo fustigados para abandonarem as áreas de
ocorrências minerais para que a Funai deixasse
fora da demarcação as jazidas de estanho. A opera-
ção foi um sucesso para a empresa, para os índios
significou um genocídio
89
(Ibid.).
89 Ver SILVA FILHO, Eduardo Gomes da.
A Mediação da Antropologia
na demarcação das Terras Indígenas: Conceito Histórico
. In: PIO




