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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
área de cartografia), que, em 1981, se debruçaram
sobre o território indígena Waimiri-Atroari. O obje-
tivo principal desse GT era fazer um levantamento
da real situação dos índios frente à ação de empre-
sas mineradoras em seu território tradicionalmen-
te ocupado. Dessa maneira, o documento nos faz o
seguinte registro:
Não existe por parte do grupo indígena Waimiri-A-
troari consciência dos limites territoriais definidos
pelos brancos. O seu território é a terra onde nas-
ce, vive e morre. A terra para os indígenas tem um
significado diferente do nosso. Para eles a terra é
o local onde nasceram e onde viveram seus ances-
trais. A terra significa a sua subsistência (Ibid., p.
58).
Ainda segundo o documento, “Classificar os
Waimiri-Atroari de violentos ou selvagens é impró-
prio, [...] nenhum índio ataca gratuitamente, eles se
julgam donos do seu território e estão dispostos a
defendê-lo até a morte” (RELATÓRIO T.I W.A, 1981,
p. 63).
Nesse sentido, o território tradicionalmen-
te ocupado pelo povo Waimiri-Atroari era bem ex-
tenso, podemos inferir isso por meio de um estudo
de levantamento de área feito pelo naturalista João
Barbosa Rodrigues em meados do ano de 1885, nele
podemos observar que os índios habitavam toda a
margem esquerda do rio Negro, desde o rio Urubu
até o rio Jauaperi. Ainda de acordo com Barbosa
Rodrigues: “[...] a região do vale ocupado hoje pe-
los índios Crichanás, onde existem espalhadas suas
malocas e onde se desenrolam tantas cenas de hor-
ror, depois de ter sido esse ponto um celeiro para o
comércio, no tempo colonial” (RODRIGUES, 1885, p.
171). Isso pode ser confirmado ao observamos a figu-
ra 08, que nos dará uma real dimensão do território
indígena.




