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Eduardo Gomes da Silva Filho

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O REORDENAMENTO TERRITORIAL E A

QUESTÃO MINERADORA

A lógica dos grandes projetos na T.I Indígena: O

Decreto Médici e a ação do Grupo Paranapanema

“Tikiriya foi embora. (Taboca chegou”). Taboka ika-

me Tikiriya yitohpa. Apiyamyake, apiyemiykî? [Ta-

boka chegou, Tikiria sumiu, por que? Por que?]”

[...] “Taboka Tikiriya paktana” (“Taboca foi no lugar

onde Tikiriya morava”). “Mudu kererema. Yarawo-

ma. Taboka tikiriya patana. (A casa toda furada.

Parede caiu. Taboca foi no lugar onde Tikiriya mo-

rava) (RELATÓRIO DO COMITÊ DA VERDADE DO

AMAZONAS, 2012, p. 12).

Esse alerta feito pelo Comitê da Verdade do

Amazonas, baseado no depoimento dos próprios ín-

dios, diz respeito à ação dos interesses empresariais

em seu território. Fato que nos deteremos ao longo

deste capítulo. No entanto, outras personagens tam-

bém estavam ligadas a esta questão, como nos apon-

ta o trecho do seguinte documento abaixo:

O índio não pode ser tratado como um imigrante

tentando sua incorporação à sociedade nacional

médio prazo. O índio deve ser preservado. A preser-

vação do índio não se constitui num impedimento

para o progresso nacional e nem para o desenvol-

vimento do Estado do Amazonas (RELATÓRIO T.I

W.A, 1981, p. 62).

Essa afirmação faz parte de um relatório

produzido a partir da experiência da formação de

um Grupo de Trabalho composto pela Antropóloga

Ângela Maria Batista, Lucélio César Franco e

Gilberto Ferreira (ambos profissionais ligados à