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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
local, e a ocupação permanente do território indíge-
na restringia-se ao vale do rio Jauaperi” (BAINES,
1993, p. 2).
Durante o Governo do General Emílio
Garrastazu Médici, em 1971, foi que ocorreu a de-
marcação da reserva Waimiri-Atroari.
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No entanto,
esses limites foram arbitrariamente determinados
pela FUNAI, sem consulta alguma aos índios ou a
quem quer que tivesse interesse em zelar pelo cum-
primento da lei e pelos direitos de bem-estar do pre-
sente e do futuro dos mesmos.
Eles foram estabelecidos obedecendo a crité-
rios de interesses desenvolvimentistas do Governo e
de empresas particulares. Concretamente, o Decreto
Presidencial de 1971, reduziu a um quinto 1/5 o ter-
ritório tradicional, então efetivamente ocupado pelos
Waimiri-Atroari. De acordo com Baines (1989), os
dados fornecidos pelo Projeto RADAM-BRASIL foram
manipulados para atender aos interesses das mine-
radoras, na medida em que houve uma mudança no
parecer final cartográfico apresentado ao Governo,
que mudou o nome do rio Uatumã, que tradicio-
nalmente era um território de fluxo indígena para
Pitinga.
Isso era baseado no “argumento que o rio
Uatumã é um afluente sem nome do Igarapé Santo
Antônio do Abonari, com o objetivo de liberar a área
já invadida pela empresa” (BAINES, 1989, p. 3).
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73 Por meio do Decreto nº 68.907, de 13 de julho de 1971, criou a
Reserva indígena Waimiri-Atroari. O Governo Médici (1969/1974), foi
o período mais violento da ditadura militar no Brasil, onde acontece-
ram os ataques da guerrilha, e a ditadura respondia com mais violên-
cia, censura e exílio, por isso eles criaram esse slogan para dizer que
quem não estava satisfeito que fosse embora do país, na maioria das
vezes, o próprio governo encarregava-se de expulsar seus desafetos.
Esse período também ficou conhecido como “milagre econômico”.
74 Para que isso fosse possível, o Governo já havia criado o Decreto-Lei
nº 227 em 28 de fevereiro de 1967, que no seu Art. 1º estabelecia




