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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

ziam denúncias feitas por representantes do CIMI e

da Prelazia de Itacoatiara, como podemos observar

logo abaixo:

O Conselho Indigenista Missionário – CIMI Norte I,

juntamente com a Prelazia de Itacoatiara, tendo à

frente D. Jorge Marskell, denunciou publicamen-

te as últimas investidas da Companhia Minerado-

ra Paranapanema em direção à reserva indígena

dos Waimiri-Atroari. Desta vez, segundo a nota do

CIMI, a Mineradora resolveu abrir uma estrada nas

imediações do km 250 da BR 174 (Manaus-Caraca-

raí), rumo ao rio Pitinga, dentro da reserva indíge-

na. Nesta área, os invasores descobriram um vasto

lençol mineral, destacando o estanho e a cassiteri-

ta (A NOTÍCIA, 1982).

78

Em documento encaminhado à FUNAI, no dia

30 de setembro de 1981, a Mineradora Timbó pediu

autorização para a construção de um ramal rodo-

viário, ligando a Rodovia Manaus-Caracaraí (trecho

da BR 174) à Mina de Pitinga, explorada pela em-

presa, e que cortava a área indígena Waimiri-Atroari

no município de Airão, no Estado do Amazonas, em

uma extensão de 38 quilômetros.

Por incrível que pareça, o Relatório produzido

pelo INPA em parceria com o CNPq, em que consta

o documento, aponta que a FUNAI deferiu o pedi-

do da mineradora, alegando de maneira esdrúxula

a impossibilidade da construção do referido ramal

em contornar a reserva indígena. Além disso, como

argumento, o presidente da FUNAI, na época o Sr.

Paulo Moreira Leal, alegou que haveriam custos ele-

vados para a construção do empreendimento. Vejam

o que diz o documento encaminhado à FUNAI que

consta no Relatório:

78 A instalação da Mineradora ocorreu próximo ao lago da bacia do rio

Uatumã com cerca de 4.200 funcionários, logo quando começou às

atividades de exploração na T.I Waimiri-Atroari no início da década

de 1980.