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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
matado alguns deles. Inclusive naquele massacre,
tem uma suspeita forte que morreu o sobrinho do
Comprido, que foi o líder principal da parte norte
do Alalaú, direita [...] da margem direita do Alalaú
(SCHWADE, 2013).
Uma matéria publicada pelo Jornal A Crítica,
no dia 08 de abril de 2012, pela jornalista Elaíze
Farias, recupera parte desta história, na medida em
que a manchete do jornal faz a seguinte denúncia,
“Dois mil índios waimiri-atroari contrários à rodovia
desaparecendo durante o regime militar no Brasil”.
A matéria segue, expondo parte da história, vejamos:
Eles não estão na lista oficial de desaparecidos
políticos, nem de vítimas de violação de direitos
humanos durante o regime militar no Brasil, mas
foram considerados empecilhos para o desenvolvi-
mento e guerrilheiros e inimigos do regime militar.
Por resistirem à construção de uma estrada (a BR
174, que liga Manaus a Boa Vista) que atravessaria
seu território, sofreram um massacre. Entre 1972 e
1975, no Estado do Amazonas. Dois mil indígenas
da etnia waimiri-atroari sumiram sem vestígios.
Um número infinitamente superior aos desapareci-
dos da Guerrilha do Araguaia, no Pará. Esta popu-
lação cuja história permanece obscura ainda povoa
a memória dos sobreviventes waimiri-atroari (ou
Kiña, como se autodenominam) (A CRITICA, 2012).
Em entrevista a TV Brasil, o índio Viana
Womé Atroari narra um destes ataques às aldeias
indígenas realizados pelos militares brasileiros:
Foi assim tipo bomba, lá na aldeia. O índio que
estava na aldeia não escapou ninguém. Ele veio no
avião e de repente esquentou tudinho, aí morreu
muita gente. Foi muita maldade na construção da
BR -174. Aí veio muita gente e pessoal armado, as-
sim, pessoal do Exército, isso eu vi. Eu sei que me
lembro bem assim, tinha um avião assim um pou-
co de folha, assim, desenho de folha, assim, algu-
ma coisa vermelho por baixo, só isso. Passou isso
aí, morria rapidinho pessoa. Desse aí que nós via.




