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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

Num contínuo rugir de motores,

Batalhão de novos pioneiros,

Seguidores do exemplo imortal,

De Engenheiros heroicos guerreiros,

Duma guerra que nunca houve igual [...]

(MEMÓRIA TÉCNICA DO 6º BEC, 1968-1977).

Os depoimentos dos Waimiri-Atroari, co-

letados por Egydio Schwade relatados à Comissão

Nacional da Verdade, descrevem em detalhes um

ataque do Exército brasileiro contra uma aldeia

Waimiri:

Kramna Mudî era uma aldeia Kiña que se localiza-

va na margem oeste da BR-174, no baixo rio Alalaú

[...]. No segundo semestre de 1974, Kramna Mudî

acolhia o povo Kiña para sua festa tradicional. Já

tinham chegado os visitantes do Camanaú e do

Baixo Alalaú. O pessoal das aldeias do Norte ain-

da estava a caminho. A festa já estava começando

com muita gente reunida. Pelo meio-dia, um ronco

de avião ou helicóptero se aproximou. O pessoal

saiu da maloca pra ver. A criançada estava toda

no pátio para ver. O avião derramou um pó. Todos,

menos um, foram atingidos e morreram [...] Os alu-

nos da aldeia Yawará forneceram uma relação de

33 parentes mortos neste massacre (CNV, 2014, p.

229. Tomo II).

De acordo com a CNV, “Esse tipo de visão

e procedimento esteve presente ao longo de todo o

processo de abertura da BR-174 e dos demais em-

preendimentos criados no território Waimiri-Atroari”

(Ibid., p. 229. Tomo II). Por conseguinte, o Relatório

narra à história do ex- mateiro Raimundo Pereira da

Silva, que trabalhou na abertura da BR 174 e foi

testemunha das ações do Exército, relacionando-a

ao desaparecimento de muitos índios.

Eu fiquei impressionado porque, antes do Exército

entrar, a gente viu muito índio, muito índio. E eles

saíam no barraco da gente, muito, muito, muito

[...]. Depois que o BIS entrou, nós não vimos mais