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Eduardo Gomes da Silva Filho

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denciam claramente o decréscimo demográfico da

população do povo Waimiri-Atroari, entre os anos de

1905 e 1987. Portanto, dentro do período cronológi-

co da nossa pesquisa e que coincide com o período

em que houve a ditadura civil-militar no Brasil, além

de bater cronologicamente com a implantação dos

grandes projetos no território indígena.

Quadro 01:

Dados demográficos Waimiri-

Atroari entre 1905-1987

Ano População

Fonte

1905

6.000

Hübner, Georg e Koch – Grünberg.

1968

3.000

Calleri, João – Prelazia de Roraima.

1972

3.000

FUNAI.

1975 600/1.000

Pinto, Gilberto – FUNAI.

1982

571

Cravero, Giuseppe – FUNAI.

1987

374

FUNAI/Eletronorte.

Fonte

: Marewa (1983) / OPAN, 1989, p. 141.

As denúncias feitas por Egydio refletem a sua

preocupação com a questão indígena, e o avanço dos

grandes projetos de desenvolvimento. O tom críti-

co e contundente é consequência de quem viveu

in

loco

com os Waimiri-Atroari. Ainda de acordo com

Egydio, cerca de dois mil índios morreram durante a

construção da BR 174, a esse respeito ele comenta:

[...] são dados oficiais, levantamento feito pelo Cal-

leri em 68. Avaliou [...] e ele fez via área, pratica-

mente, mas de acordo com as aldeias na época, e

o número de índios, ele calculava em torno de 3

mil. E poucos anos depois, em 71; não, em 72, a

FUNAI fez um levantamento nacional dos postos

indígenas e etc, da FUNAI, e dos povos, não é, e

esse relatório, eu tenho ele é da época, quer dizer,

que os jornalistas me forneceram, né? E ele confir-

ma isso, né? [...] lendo o relatório do Gilberto Pinto

sobre o massacre do Alalaú, fica claríssimo, né? O

cara descarregou todo o rifle, né, e os índios não

foram embora, só foram embora quando puxou o

revolver. Quer dizer [...] aí já tinha, provavelmente,