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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
rios, tentando em um primeiro momento, mascarar
os seus verdadeiros interesses autoritários.
Uma prova disso foi à mudança da
Constituição Federal em 1967, sob um argumento
espúrio de tentar justificar a nova ordem. Porém,
logo no seu início, no ano de 1964, a cassação de
Parlamentares e de oficiais que eram contrários à or-
dem, além de perseguições a pessoas públicas, dita-
ram o tom dos difíceis anos de repressão pelos quais
o Brasil passara.
Nos anos seguintes, com os chamados Atos
Institucionais, o regime tornou-se mais duro, cres-
cendo consideravelmente o número de torturas, pri-
sões, extradições e assassinatos, além disso, estão
incluídos neste pacote de desmandos e maldades às
graves violações que ocorreram aos povos indígenas
e, em particular, ao povo Waimiri-Atroari, objeto de
nossa análise. A esse respeito, a Comissão Nacional
da Verdade destaca:
Os grupos Waimiri-Atroari foram massacrados, en-
tre os anos 1960 e 1980, para abrir espaço em suas
terras para a abertura da BR-174, a construção da
hidrelétrica de Balbina e a atuação de mineradoras
e garimpeiros interessados em explorar as jazidas
que existiam em seu território. Recenseados pela
Funai em 1972 com uma população de cerca de
3 mil pessoas, em 1987 eram somente 420, tendo
chegado a 350 em 1983(COMISSÃO NACIONAL DA
VERDADE, 2014, p. 228,Tomo II).
Sobre essa afirmação, dados publicados por
Egydio Schwade, na Revista Marewa (1983), atrela-
da ao Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-
Atroari, além de outra importante publicação feita na
obra “A Conquista da Escrita”, da Operação Anchieta
– OPAN (1989, p. 141), corroboram com esta afirma-
ção referente aos dados demográficos, os quais se
referem à Comissão Nacional da Verdade, que evi-




