Eduardo Gomes da Silva Filho
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O pesquisador José Aldemir de Oliveira
(2000) fez uma análise da espacialidade da obra e
destacou, a partir da sua visão, alguns pontos im-
portantes, como por exemplo: a dinamização econô-
mica e social do município de Presidente Figueiredo,
as implantações da Usina Hidrelétrica de Balbina e
do projeto de Mineração do rio Pitinga, além da inter-
ligação dos trechos, Manaus/Figueiredo e Manaus/
Boa Vista.
É necessário, entretanto, atentarmos para
os grandes transtornos causados ao povo Waimiri-
Atroari, a partir da implantação de tais empreendi-
mentos, como no caso da BR 174, como nos alerta
Egydio Schwade.
A BR foi um típico projeto da Ditadura Militar, [...].
Tendo o direito de fazer nesse território nacional,
o que eles querem né? Independente de que tenha
gente ou não. Isso era o tipo ditatorial e continua
nessa ditadura mansa, até os nossos dias, quando
se trata de povos indígenas. Está aí Belo Monte,
né? E tal. Então no caso da BR foi durante todo o
processo, até que [...] furaram, foi sempre de vio-
lência contra os indígenas, que começou aqui [...]
que eles começaram a resistir quando [...] um pou-
co antes da passagem aqui do Urubú até [...] de
1967 até 77, quando foi inaugurada (SCHWADE,
2013).
A visão de Egydio Schwade sobre a ação dos
grandes projetos nas terras indígenas levou-nos a fa-
zer algumas reflexões mais profundas sobre o tema,
de fato, o golpe civil-militar no Brasil começou de
maneira mansa, como alegou Egydio em sua fala,
no entanto, foi de forma vergonhosa, pois, muitas
das lideranças civis que apoiaram este golpe, acre-
ditavam, de forma absolutamente equivocada, que
os militares sairiam de cena, com a mesma rapi-
dez com que entraram e não foi isso o que ocorreu.
Esconderam-se por trás da alcunha de revolucioná-




