Table of Contents Table of Contents
Previous Page  143 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 143 / 332 Next Page
Page Background

Eduardo Gomes da Silva Filho

143

O pesquisador José Aldemir de Oliveira

(2000) fez uma análise da espacialidade da obra e

destacou, a partir da sua visão, alguns pontos im-

portantes, como por exemplo: a dinamização econô-

mica e social do município de Presidente Figueiredo,

as implantações da Usina Hidrelétrica de Balbina e

do projeto de Mineração do rio Pitinga, além da inter-

ligação dos trechos, Manaus/Figueiredo e Manaus/

Boa Vista.

É necessário, entretanto, atentarmos para

os grandes transtornos causados ao povo Waimiri-

Atroari, a partir da implantação de tais empreendi-

mentos, como no caso da BR 174, como nos alerta

Egydio Schwade.

A BR foi um típico projeto da Ditadura Militar, [...].

Tendo o direito de fazer nesse território nacional,

o que eles querem né? Independente de que tenha

gente ou não. Isso era o tipo ditatorial e continua

nessa ditadura mansa, até os nossos dias, quando

se trata de povos indígenas. Está aí Belo Monte,

né? E tal. Então no caso da BR foi durante todo o

processo, até que [...] furaram, foi sempre de vio-

lência contra os indígenas, que começou aqui [...]

que eles começaram a resistir quando [...] um pou-

co antes da passagem aqui do Urubú até [...] de

1967 até 77, quando foi inaugurada (SCHWADE,

2013).

A visão de Egydio Schwade sobre a ação dos

grandes projetos nas terras indígenas levou-nos a fa-

zer algumas reflexões mais profundas sobre o tema,

de fato, o golpe civil-militar no Brasil começou de

maneira mansa, como alegou Egydio em sua fala,

no entanto, foi de forma vergonhosa, pois, muitas

das lideranças civis que apoiaram este golpe, acre-

ditavam, de forma absolutamente equivocada, que

os militares sairiam de cena, com a mesma rapi-

dez com que entraram e não foi isso o que ocorreu.

Esconderam-se por trás da alcunha de revolucioná-