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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
[...] No dia 23, às 19h20, Pe. Calleri informava que a
caravana tinha atingido a fronteira do território dos
Waimiri-Atroari [...]”. Ao passo que, no dia 25 de ou-
tubro, o autor descreve que alcançaria a primeira
maloca Waimiri-Atroari, porém, esperou o melhor
momento para poder fazer contato com os índios. No
dia seguinte, 26 de outubro de 1968, um Relatório
Oficial foi enviado pelo Padre Calleri ao DER-AM,
onde o religioso destaca:
Estamos acampados com os Atroari na primeira
maloca. Foi luta dura, embora usando todos os
recursos psicotécnicos da estratégia indigenista,
conseguir o que conseguimos, sem abandonar uma
lógica honesta e prudente de operação. Chegamos
às malocas às 9h00. Os índios compareceram, de
repente no rio. Inicialmente, se apresentaram me-
drosos e desconfiados, depois nos ofereceram ba-
nanas e beijus, mas não nos permitiram entrar na
maloca. Em seguida, vendo a nossa mercadoria,
começaram a se agitar com gestos violentos, para
tirar tudo. [...] Pelas 18 horas, [...] fomos oferecer
presentes pela primeira vez [...]. Aproveitamos a
alegria para pôr os pés na maloca [...] (RELATÓRIO
OFICIAL PADRE CALLERI, 1968).
Nesse sentido, nota-se a partir dos Relatórios
feitos pelo Padre Calleri, a sua organização na mis-
são, além da tentativa de contato amigável com os
indígenas. Porém, diferentemente do que nos aponta
este documento, segundo o Comitê da Verdade do
Amazonas, “O plano do Padre João Calleri também
objetivava afastar os índios do roteiro da estrada
[...]” (COMITÊ DA VERDADE DO AMAZONAS, 2014,
p. 95).
Segundo indigenista José Porfírio de Carvalho
(1982), a FUNAI mantinha em Manaus um delegacia
regional e por intermédio do experiente sertanista
Gilberto Pinto, que era um conhecedor do território




