Table of Contents Table of Contents
Previous Page  82 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 82 / 332 Next Page
Page Background

82

Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

[...] No dia 23, às 19h20, Pe. Calleri informava que a

caravana tinha atingido a fronteira do território dos

Waimiri-Atroari [...]”. Ao passo que, no dia 25 de ou-

tubro, o autor descreve que alcançaria a primeira

maloca Waimiri-Atroari, porém, esperou o melhor

momento para poder fazer contato com os índios. No

dia seguinte, 26 de outubro de 1968, um Relatório

Oficial foi enviado pelo Padre Calleri ao DER-AM,

onde o religioso destaca:

Estamos acampados com os Atroari na primeira

maloca. Foi luta dura, embora usando todos os

recursos psicotécnicos da estratégia indigenista,

conseguir o que conseguimos, sem abandonar uma

lógica honesta e prudente de operação. Chegamos

às malocas às 9h00. Os índios compareceram, de

repente no rio. Inicialmente, se apresentaram me-

drosos e desconfiados, depois nos ofereceram ba-

nanas e beijus, mas não nos permitiram entrar na

maloca. Em seguida, vendo a nossa mercadoria,

começaram a se agitar com gestos violentos, para

tirar tudo. [...] Pelas 18 horas, [...] fomos oferecer

presentes pela primeira vez [...]. Aproveitamos a

alegria para pôr os pés na maloca [...] (RELATÓRIO

OFICIAL PADRE CALLERI, 1968).

Nesse sentido, nota-se a partir dos Relatórios

feitos pelo Padre Calleri, a sua organização na mis-

são, além da tentativa de contato amigável com os

indígenas. Porém, diferentemente do que nos aponta

este documento, segundo o Comitê da Verdade do

Amazonas, “O plano do Padre João Calleri também

objetivava afastar os índios do roteiro da estrada

[...]” (COMITÊ DA VERDADE DO AMAZONAS, 2014,

p. 95).

Segundo indigenista José Porfírio de Carvalho

(1982), a FUNAI mantinha em Manaus um delegacia

regional e por intermédio do experiente sertanista

Gilberto Pinto, que era um conhecedor do território