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Eduardo Gomes da Silva Filho

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indígena e já tinha estabelecido alguns contatos com

os Waimiri-Atroari, principalmente a partir do Posto

de Atração, instalado às margens do rio Camanaú,

é válido salientar, que o sertanista era contrário à

construção da rodovia no território indígena e a po-

lítica do DER-AM, fato que fez com que a FUNAI,

na época sob a responsabilidade de seu Presidente

Queiroz Campos, tivesse substituído Gilberto Pinto

pelo Padre Calleri.

Ainda de acordo com o indigenista, o Padre

Calleri tinha pouca experiência com grupos indíge-

nas, haja vista que, apenas em duas oportunidades

distintas, ocorreram somente alguns contatos dire-

tos com um grupo Yanomami, e, mesmo assim, ele

acabou sendo obrigado a fugir do local afugentado

pelos próprios índios. Portanto, é notório que quan-

do comparamos ambas as experiências do Padre

com relação ao trato aos indígenas, nota-se que ele

tinha realmente pouca experiência, no entanto, o

sertanista Gilberto Pinto era visto como um possível

obstáculo às pretensões da FUNAI e do Governo.

Todavia, o Padre Silvano Sabatini (1998) deu

ênfase à missão pelo lado humanístico, descreven-

do-a em riqueza de detalhes, inclusive nomeando

todos os envolvidos, começando pelo operador de

radiofonia João Geraldo de Oliveira, conhecido pe-

los colegas como “cara de onça”, Aragão Rodrigues

de Oliveira que era mateiro, sua esposa, conhecida

como Maria Pinto da Silva, Manuel Mariano da Silva,

Manuel Nascimento que era o cozinheiro, Francisco

Eduardo de Oliveira, Bezerra Ribeiro Mendes, Maria

Mercedes Sales, Álvaro Paulo da Silva

28

, que era o

outro mateiro e o único sobrevivente da expedição e

o Padre João Calleri.

28 De acordo com Sabatini (1998), o mateiro Álvaro Paulo, também era

conhecido como Paulo Mineiro.