Eduardo Gomes da Silva Filho
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melhores, principalmente no que diz respeito aos
índios e seus territórios. O clima de terrorismo e
espionagem está terrível, acho que pior do que no
“tempo dos coronéis” (CARTA PARA EGYDIO e Do-
roti, Rio de Janeiro, 01 de outubro de 1985).
Nesse sentido, verifica-se que a FUNAI não
passava a menor credibilidade para tentar desabi-
litar o trabalho dos missionários, que por sua vez,
já haviam passado todos os seus fundamentos teó-
rico-filosóficos, assim como os assuntos abordados
em sala de aula via carta para a Superintendente
Regional da FUNAI, Profª. Zoraide Goulart dos
Santos, como veremos abaixo:
[...] iniciamos em 04 de setembro de 1985, os tra-
balhos na escola da aldeia Yawará. [...] trata-se
da primeira iniciativa de um projeto de educação
bilíngue em área indígena Waimiri-Atroari. [...] Na
elaboração do sistema ortográfico que utilizamos
na escola, valemo-nos de consultas a linguistas
profissionais, afiliados não apenas à FUNAI/AESP,
mas ainda a centros universitários de pesquisa
como a UFRJ e a UA (Carta a Zoraide Goulart dos
Santos, - Schwade e Doroti, Presidente Figueiredo,
14 de dezembro de 1986).
A partir da análise do documento, pudemos
constatar que além de preparados para exercer a do-
cência junto ao povo Waimiri-Atroari, o casal de mis-
sionários também se preocupou em manter o diálo-
go com o órgão indigenista, sendo assim, não havia
motivos plausíveis para o ataque irresponsável que
foi feito pelo jornal na época. O episódio da expulsão
dos missionários ainda repercutiu por muito tempo e
,ainda hoje, é objeto de análise dos que se debruçam
sobra à política indigenista de resistência frente aos
desmandos e intransigências do poder institucional.




