Eduardo Gomes da Silva Filho
281
noticiaram o fato abordando tanto a visão dos pró-
prios missionários, quanto à do CIMI. Nesse sentido,
a matéria publicada na edição de 21 de dezembro
de 1986 do Jornal A Crítica, abriu espaço para que
Egydio e Doroti Schwade se pronunciassem publica-
mente sobre o fato ocorrido.
O verdadeiro motivo é porque temos alertado as li-
deranças indígenas para o perigo que representam
as mineradoras na região, principalmente a Para-
napanema, que sistematicamente saqueia a área
indígena, reduzindo assim seu patrimônio (A CRÍ-
TICA, 1986).
Esse mesmo jornal publicou uma nota oficial
do CIMI Norte I, onde constava a insatisfação peran-
te o fato, como veremos a seguir:
[...] a expulsão de Egydio e Doroti da área indíge-
na Waimiri-Atroari não se deve nem à vontade dos
índios e nem pode ser atribuída à falta de compe-
tência no trabalho. O motivo de encontra na total
capitulação da FUNAI, frente aos grandes interes-
ses econômicos que se vêm instalando na área in-
dígena (A CRÍTICA, 1986).
Enquanto isso, a expulsão continuava ren-
dendo manchetes aos jornais da época, em uma de-
las, publicada em uma edição do Jornal A Notícia,
de Manaus, trazia o seguinte tema: “Missionários
expulsos: CIMI diz que FUNAI capitulou frente aos
grupos econômicos”, (JORNAL A NOTÍCIA, 1986). Na
matéria, o CIMI defendeu a postura dos missionários
e reafirmou o seu papel de alfabetizar os índios.
A postura dos periódicos publicados em
Manaus sobre o caso da expulsão dos missionários
mostrou-se diferente da abordagem dada por outros
periódicos que foram publicados em outros Estados
na época. Isso fica mais claro, quando comparamos
duas reportagens distintas sobre o assunto, a primei-




