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Eduardo Gomes da Silva Filho

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Como frisamos anteriormente, as respostas

a esses questionamentos já foram dadas ao longo

deste trabalho, a partir da própria representação

da memória dos índios, ao produzirem a partir de

sua experiência de alfabetização evidências de suas

práticas de resistências contra a guerra de genocídio

imposta a eles durante o regime-civil militar.

Foi nesse sentido, que procuramos penetrar

na natureza dessas fontes e desses rastros de me-

mórias que emergiram a partir da resistência e da

escrita indígena, ao passo que encaramos este de-

safio para tentar tornar esse registro do real possí-

vel, pois a maneira como eles veem o mundo pas-

sa por padrões e simbologias que diferem da nossa

percepção.

Em virtude dos argumentos apresentados, o

trabalho também contribuiu para evidenciar o res-

gate do passado de enfrentamentos e resistência do

povo Waimiri-Atroari para uma geração atual, que

não viveu o regime civil-militar no Brasil. Desta ma-

neira, nós tentamos cumprir o nosso papel social

de compromisso com os fatos e acima de tudo, de

respeito às fontes como historiador, mas, sem nos

apegarmos as armadilhas deixadas pelos olhares

anacrônicos daqueles que tentam a todo custo des-

caracterizá-las como fontes.

Isso pode ser observado no trabalho a partir

do próprio discurso da FUNAI e do PWA, que não

mediram esforços para tentar impedir a continuida-

de do trabalho de alfabetização realizado pelo casal

Schwade junto aos índios. Todavia, demonstramos

a repercussão que isso causou na época por meio

da análise de periódicos locais e nacionais, na me-

dida em que essas fontes serviram para tentar res-

gatar os modos de vida deste povo, que foram su-

focados pelos discursos opressores do poder, pro-

feridos por determinados aparelhos de Estado, que