Eduardo Gomes da Silva Filho
287
Como frisamos anteriormente, as respostas
a esses questionamentos já foram dadas ao longo
deste trabalho, a partir da própria representação
da memória dos índios, ao produzirem a partir de
sua experiência de alfabetização evidências de suas
práticas de resistências contra a guerra de genocídio
imposta a eles durante o regime-civil militar.
Foi nesse sentido, que procuramos penetrar
na natureza dessas fontes e desses rastros de me-
mórias que emergiram a partir da resistência e da
escrita indígena, ao passo que encaramos este de-
safio para tentar tornar esse registro do real possí-
vel, pois a maneira como eles veem o mundo pas-
sa por padrões e simbologias que diferem da nossa
percepção.
Em virtude dos argumentos apresentados, o
trabalho também contribuiu para evidenciar o res-
gate do passado de enfrentamentos e resistência do
povo Waimiri-Atroari para uma geração atual, que
não viveu o regime civil-militar no Brasil. Desta ma-
neira, nós tentamos cumprir o nosso papel social
de compromisso com os fatos e acima de tudo, de
respeito às fontes como historiador, mas, sem nos
apegarmos as armadilhas deixadas pelos olhares
anacrônicos daqueles que tentam a todo custo des-
caracterizá-las como fontes.
Isso pode ser observado no trabalho a partir
do próprio discurso da FUNAI e do PWA, que não
mediram esforços para tentar impedir a continuida-
de do trabalho de alfabetização realizado pelo casal
Schwade junto aos índios. Todavia, demonstramos
a repercussão que isso causou na época por meio
da análise de periódicos locais e nacionais, na me-
dida em que essas fontes serviram para tentar res-
gatar os modos de vida deste povo, que foram su-
focados pelos discursos opressores do poder, pro-
feridos por determinados aparelhos de Estado, que




