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Eduardo Gomes da Silva Filho

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um dos desafios deste trabalho foi a tentativa

de recuperarmos os últimos cinquenta anos da Etno-

história do povo Waimiri-Atroari, desvencilhando-os

da perspectiva imposta pelo Estado brasileiro, que

oscilou de selvagem e assassina, no início do período

das frentes de atração da FUNAI, a índios vistos como

crianças indefesas tuteladas pelo PWA.

O que vimos, foi uma situação completamente

diferente do discurso oficial apresentado pelos agen-

tes membros deste mesmo Estado. Essa “pacificação”

foi orquestrada em tom de genocídio, tendo como

principal algoz dos índios os próprios militares que

deveriam defendê-los.

Em virtude dos fatos mencionados, a falsa

impressão do progresso, apresentado pelo Governo

brasileiro a partir do golpe civil-militar de 1964, não

levou em consideração as vidas que foram ceifadas

deste povo, que ocorreu de uma forma arbitrária, sob

a pífia justificativa da integração nacional. Dado o

exposto, esses aspectos evidenciaram uma tentativa

de supressão da autodeterminação indígena.

No entanto, como pudemos constatar ao lon-

go deste trabalho, eles resistiram de diversas formas

contra a implantação desses projetos em seu territó-

rio, através do enfrentamento direto com arcos e fle-

chas, terçados, bordunas, lanças e armadilhas, além

das suas estratégias de resistência cultural, com a

preservação da sua língua, escrita e ritos tradicionais.

O presente trabalho procurou inverter a pers-

pectiva vitimizadora imposta pelo Estado e evidenciar

os índios como protagonistas deste processo, a partir

de suas práticas de resistência. Muito embora, não

termos nele a pretensão de determinamos “certezas

absolutas”.