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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Portanto, a questão principal do trabalho con-
centrou-se na investigação da resistência indígena
frente à implantação dos grandes projetos de desen-
volvimento em seu território tradicionalmente ocu-
pado. Dessa forma, a resistência dos índios Waimiri-
Atroari fez-se presente com maior intensidade em três
deles, como nos casos da construção da BR 174, da
ação mineradora e da Usina Hidrelétrica de Balbina.
O foco da pesquisa correspondeu ao perío-
do de 1964 até 2014, a escolha deste período cro-
nológico deveu-se de maneira análoga ao início da
Ditadura civil-militar no Brasil, onde esses índios
foram submetidos a diversas atrocidades em detri-
mento das pretensões de agentes públicos e particu-
lares. Já o ano de 2014 justifica-se por ser uma data
emblemática onde “descomemoramos” os 50 anos
deste regime no país, além de coincidir com a publi-
cação histórica do Relatório da Comissão Nacional
da Verdade, que denunciou essas graves violações
que ocorreram durante o regime civil-militar, contra
quem se opusesse a ele, neste caso, os índios.
Ao mesmo tempo, buscamos compreender
como tudo isso ocorreu. Porém, para que pudés-
semos alcançar determinadas respostas, as quais,
nos esforçamos em tentar respondê-las ao longo dos
capítulos, tivemos que seguir os rastros deixados
por eles a partir de uma série de fontes, em espe-
cial, as que nos foram disponibilizadas pela família
Schwade, que compuseram o 1º Relatório do Comitê
Estadual de Direito à Verdade, à Memória e à Justiça
do Amazonas.
Temos como exemplo disso as seguintes
questões: “Os militares tiveram participação direta
no genocídio indígena do povo Waimiri-Atroari, como
nos apontou o 1º Relatório do Comitê Estadual da
Verdade do Amazonas?”. “E os índios, como resisti-
ram a esse episódio?”.




