Table of Contents Table of Contents
Previous Page  286 / 332 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 286 / 332 Next Page
Page Background

286

Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

Portanto, a questão principal do trabalho con-

centrou-se na investigação da resistência indígena

frente à implantação dos grandes projetos de desen-

volvimento em seu território tradicionalmente ocu-

pado. Dessa forma, a resistência dos índios Waimiri-

Atroari fez-se presente com maior intensidade em três

deles, como nos casos da construção da BR 174, da

ação mineradora e da Usina Hidrelétrica de Balbina.

O foco da pesquisa correspondeu ao perío-

do de 1964 até 2014, a escolha deste período cro-

nológico deveu-se de maneira análoga ao início da

Ditadura civil-militar no Brasil, onde esses índios

foram submetidos a diversas atrocidades em detri-

mento das pretensões de agentes públicos e particu-

lares. Já o ano de 2014 justifica-se por ser uma data

emblemática onde “descomemoramos” os 50 anos

deste regime no país, além de coincidir com a publi-

cação histórica do Relatório da Comissão Nacional

da Verdade, que denunciou essas graves violações

que ocorreram durante o regime civil-militar, contra

quem se opusesse a ele, neste caso, os índios.

Ao mesmo tempo, buscamos compreender

como tudo isso ocorreu. Porém, para que pudés-

semos alcançar determinadas respostas, as quais,

nos esforçamos em tentar respondê-las ao longo dos

capítulos, tivemos que seguir os rastros deixados

por eles a partir de uma série de fontes, em espe-

cial, as que nos foram disponibilizadas pela família

Schwade, que compuseram o 1º Relatório do Comitê

Estadual de Direito à Verdade, à Memória e à Justiça

do Amazonas.

Temos como exemplo disso as seguintes

questões: “Os militares tiveram participação direta

no genocídio indígena do povo Waimiri-Atroari, como

nos apontou o 1º Relatório do Comitê Estadual da

Verdade do Amazonas?”. “E os índios, como resisti-

ram a esse episódio?”.