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Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia

invadiram seu território com os grandes projetos de

desenvolvimento.

Por outro lado, essas novas formas de repre-

sentação, organização e resistência indígena vão de

encontro a este poder hegemônico e contam outra

história, que acabou invertendo o ônus da prova,

tirando os índios do papel de vitimizados e os ele-

vando à categoria de protagonistas de sua própria

resistência.

Do ponto de vista espacial, o trabalho tam-

bém demonstrou toda a articulação de reordena-

mento territorial feita pelo governo civil-militar,

FUNAI e mineradoras, para que houvesse mais fa-

cilidades na exploração de suas terras, desde a pro-

mulgação do Decreto Médici em 1971, até a absurda

e indiscriminada distribuição de alvarás para que

fosse possível o usufruto das riquezas dos índios pe-

los “não-índios”.

Nesta perspectiva, outras fontes também nos

auxiliaram a entender este processo, como no caso

dos documentos oficiais apresentados ao longo do

trabalho, que denunciaram além do esbulho de ter-

ras, várias atrocidades que ocorreram contra esses

povos, cometidas pelos agentes já citados. Porém, es-

sas denúncias são explicitadas no trabalho também

em caráter internacional, a partir da participação,

na década de 1980, de Egydio Schwade no Tribunal

Russel da Holanda e no Tribunal dos povos em Paris.

Apesar de tudo o que frisamos até aqui, o fi-

nal da década de 1980, trouxe uma nova esperança

para o povo Waimiri-Atroari, na medida em que se

fortaleciam as vozes dos movimentos pró-indígenas

no país, principalmente a partir da figura do CIMI

e do MAREWA, que sempre estiveram ao lado deste

povo, os apoiando nos momentos mais cruciais de

sua saga, na defesa do seu território e do seu direito

à vida.