Eduardo Gomes da Silva Filho
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Nessa ótica, a Constituição de 1988, parecia
ser a solução definitiva para os problemas do povo
Waimiri-Atroari, principalmente os de ordem jurídi-
ca, porém, o que se viu na prática, foi o surgimento
de um programa tutelar, apoiado pela FUNAI e pela
Eletronorte, sob a alcunha de Programa Waimiri-
Atroari ou como ele é mais conhecido de PWA.
Esse programa como evidenciamos na pes-
quisa, está há mais de 25 anos controlando todos
os recursos federais que são repassados aos índios,
principalmente por causa das perdas e danos que
foram causados a eles pelo deslocamento compul-
sório que houve a partir da Construção da Usina
Hidrelétrica de Balbina em seu território. Destarte,
o PWA vem durante todos esses anos impedindo su-
mariamente que qualquer pesquisador tenha algum
tipo de contato com os índios, fato que pode ser com-
provado pelas fontes deste trabalho, que também
trazem os exemplos mais contundentes encontrados
a partir das falas dos Professores Márcio Silva, da
UNICAMP; Stephen Grant Baines, da UnB; do in-
digenista Egydio Schwade, além da nossa própria
experiência junto ao PWA, quando tivemos o nosso
pedido de acesso as fontes e à aldeia negados, sem
maiores justificativas.
Muito embora tenhamos tentado por outras
vezes junto a este órgão adentrar no território indí-
gena, infelizmente não logramos êxito, isso de certa
forma dificultou o andamento da pesquisa, haja vis-
ta que a nossa intensão original era fazer um traba-
lho etnográfico junto a este povo. Porém, as fontes
trazidas ao público a partir do trabalho etnográfico
desenvolvido pelo casal Schwade junto aos índios
Waimiri-Atroari e publicado pelo Comitê Estadual da
Verdade do Amazonas, voltou a nos impulsionar na
pesquisa, abrindo novas perspectivas de análises,
como já citamos anteriormente.




