176
Protagonismo e resistência dos Waimiri-Atroari na Amazônia
Este processo veio na contramão da regu-
larização da reserva e também reduziu a área em
526.800 hectares, que correspondia na época à
exatamente o que pretendia o grupo de exploração
mineral Paranapanema. A esse respeito o Jornal
Porantim adverte:
A área liberada pela FUNAI – 526.800 hectares- em
favor da empresa Paranapanema, para que fosse
instalado o Projeto Pitinga, com previsão de inves-
timento de 27.750.000 dólares e com a estimativa
de produção de 50 mil toneladas de estanho, foi
resultado de um “acordo” entre os dirigentes da
FUNAI, que propuseram a extinção da Reserva [...]
(JORNAL PORANTIM, 1983).
Desta forma, a lei como instrumento de de-
fesa dos povos tradicionais, foi totalmente ignorada;
por outro lado, a sociedade civil apenas se limitou a
assistir as violações sofridas por esse povo, ao pas-
so que mais uma vez houve uma clara violação dos
direitos indígenas, na medida em que o Estatuto do
Índio em seu Artigo 2º, inciso X, determina “garan-
tir aos índios o pleno exercício dos direitos civis e
políticos que em face da legislação lhes couberem”
(BRASIL, 1973, Art. 2º, inciso X).
Esta situação foi praticamente sacramen-
tada com a assinatura do Contrato nº 037/82, fir-
mado entre Timbó Indústria de Mineração LTDA.
e a Fundação Nacional do Índio, em 1982. Isso
reflete o respaldo que havia por parte da FUNAI à
Mineração Taboca, com “carta branca” para execu-
tar seu processo de extração mineral no território
Waimiri-Atroari.
Nesse sentido, várias denúncias foram feitas
pelo Movimento de Apoio a Resistência dos Waimiri-
Atroari - Marewa, juntamente com o apoio da Prelazia
de Itacoatiara e do CIMI. Uma dessas denúncias veio
a público no ano de 1984, com o sugestivo nome




