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EIXO 4 – PAULO FREIRE E A EDUCAÇÃO DO CAMPO: RESISTÊNCIA E CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS

XX FÓRUM DE ESTUDOS: LEITURAS DE PAULO FREIRE

DE 03 A 05 DE MAIO DE 2018, UNISINOS – SÃO LEOPOLDO/RS

A despeito disso, enfatizamos a relevância do diálogo,

da problematização, da relação teoria-prática, como princí-

pios que potencializam a reflexão crítica, a reelaboração de

conceitos, o estabelecimento de novas relações entre o con-

texto real e os conhecimentos produzidos. De acordo com

Sartori e Segat, “[...] o trabalho realizado de maneira cola-

borativa fornece instrumentos para o processo de reflexão,

permitindo aos professores a compreensão de que ensinar

sem refletir e sem problematizar as práticas pedagógicas,

certamente fragiliza e descontextualiza o processo educati-

vo formal” (2010, p. 199).

Nesse sentido, não é no isolamento de uma prática

formativa bancária (FREIRE, 1987), em que não sejam com-

partilhadas ideias, dúvidas, angústias, medos, conflitos, que

alcançaremos uma formação docente mais próxima possível

da realidade e das demandas das comunidades escolares,

neste estudo das comunidades camponesas. Nisso corro-

bora Freire ao frisar que “não há história

sem

homens, como

não há uma história para os homens, mas uma história de

homens que, feita por eles, também os faz, como disse

Marx” (1987, p. 127, grifo do autor). Frente a isso nos senti-

mos autorizados a destacar que ao fazer história, os

homens

tornam-se sujeitos e agentes do processo histórico, o qual

de maneira permanente representa possibilidades de mu-

danças, tanto pessoal como profissional.

De acordo com Freire, compreendemos que ao desen-

volver um processo de formação docente comprometido

com a mudança social, é indispensável ficar claro que “[...]

quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é forma-

do forma-se e forma ao ser formado” (1987, p. 23). Enlaçado

a isso, o autor segue reforçando que formar não é dar

for-

ma

, não é tornar o sujeito em formação objeto/passivo. Ao

contrário, é mover os sujeitos para a releitura do seu cotidia-

no para que compreendam os modos peculiares de viver e

produzir a vida nos diferentes espaços sociais, tornando-se

capacitados para intervir e mudar a prática educativa na es-

cola urbana e do campo.