O habitar do ensinar e do aprender: as diferentes dimensões da/na educação OnLIFE

O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO OnLIFE Luciana Backes Eliane Schlemmer Jones Godinho Ana Maria Marques Palagi Organizadores Casa Leiria 3

Eliane Schlemmer Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 1D. Pós-doutora em Educação pela Universidade Aberta de Portugal – UAb-PT, doutora em Informática na Educação e mestra em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e, bacharelado em Informática pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. Atualmente é professora-pesquisadora titular do Programa de Pós-Graduação emEducação na Unisinos (nota 7 na CAPES) e do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada. É líder do Grupo Internacional de Pesquisa em Educação Digital – GPe-dU Unisinos/ CNPq, desde 2004, onde desenvolve pesquisas e plataformas digitais para a Educação. Colaboradora do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta (CEG-UAb). Pesquisadora-colaboradora no Grupo Internacional de Pesquisa Atopos/USP, no Centro de Estudos Globais – CEG/UAb Portugal e da Unidade de Estudos do Local – ELO/UAb Portugal. Luciana Backes Pós-Doutora em Science Sociale l’Université Paris Descartes – Paris V (Sorbonne), Doutora em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos e em Science de l’Éducation l’Université Lumière Lyon 2, Mestra em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, Especialista em Informática na Educação a Distância pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e Pedagoga pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. Atualmente é professora – pesquisadora permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade La Salle – Canoas. É líder do grupo de pesquisa Convivência e Tecnologia Digital na Contemporaneidade COTEDIC UNILASALLE/CNPq e Pesquisadora-visitante ao Laboratoire Sciences, Société, Historicité, Éducation, Pratiques (S2HEP) Université Claude Bernard – Lyon 1.

FINANCIAMENTO: O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO OnLIFE

COORDENAÇÃO DO VII WLC Coordenadora Geral: Profa. Dra. Eliane Schlemmer (Unisinos) Vice-Coordenadora: Profa. Dra. Luciana Backes (Unilasalle) COMISSÃO ORGANIZADORA DO VII WLC2022 Presidente: Juliani Menezes dos Reis (Unilasalle/UFRGS) Vice-Presidente: Naidi Carmen Gabriel (Unilasalle/IFSC - Câmpus Xanxerê) Fabrícia Py Tortelli Noronha (Unilasalle/IFRS - Porto Alegre) Jones Godinho (Faculdade La Salle Manaus) Pedro Guastelli Fadini (Unilasalle) Douglas Fonseca Campos (Unilasalle) Antônio Filipe Maciel Szezecinski (Unilasalle/Colégio La Salle Esteio) Anna Júlia Cardoso Dornelles (Unisinos) João Velasques Paladini (Unisinos/EMEF Santa Marta) Bruna Elisa Schuster (Unisinos) Eduardo Lorini Carneiro (Unilasalle) Gabrielle de Souza Alves (Unisinos) Gláucia Silva da Rosa (Unisinos) Isadora Cardozo Dias (Unisinos) Karen Cardoso Barchinski (Unilasalle) Marlete Teresinha Gut (Unilasalle/Colégio La Salle Medianeira) Renati Fronza Chitolina (Setrem) Sabrina Capulo (Unisinos) COMISSÃO TÉCNICO-CIENTÍFICA Presidente: Patrícia Scherer Bassani (Feevale) Vice-Presidente: Fabricia Py Tortelli Noronha (IFRS - Porto Alegre) Jones Godinho (Faculdade La Salle Manaus) Juliani Menezes dos Reis (Unilasalle/UFRGS) Ederson Luiz Locatelli (Rede Marista) Ana Maria Marques Palagi (SEED/PR) Anna Helena Silveira Sonego (UFRGS) Aníbal Lopes Guedes (Unisinos) Caroline Müller (IENH) Claudio Cleverson de Lima (IFSul - Câmpus Lajeado) Cleber Gibon Ratto (Unilasalle) Cristiane Koehler (UFMT) Débora Nice Ferrari Barbosa (Feevale) Lisiane Cézar de Oliveira (Unisinos/IFRS - Campus Ibirubá) Marcelo de Miranda Lacerda (IFNMG - PPGE/Unimontes/MG) Renati Fronza Chitolina (Setrem) Vera Lucia Felicetti

CASA LEIRIA SÃO LEOPOLDO/RS 2023 Luciana Backes Eliane Schlemmer Jones Godinho Ana Maria Marques Palagi (Organizadores) O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO OnLIFE

O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO ONLIFE Organizadores: Luciana Backes, Eliane Schlemmer, Jones Godinho e Ana Maria Marques Palagi. Os textos e imagens são de responsabilidade de seus autores. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte. Catalogação na Publicação Bibliotecária: Carla Inês Costa dos Santos – CRB 10/973 Ficha catalográfica EDITORA CASA LEIRIA – CONSELHO EDITORIAL Ana Carolina Einsfeld Mattos (UFRGS) Ana Patrícia Sá Martins (Uema) Antônia Sueli da Silva Gomes Temóteo (UERN) Glícia Marili Azevedo de Medeiros Tinoco (UFRN) Haide Maria Hupffer (Feevale) Isabel Cristina Arendt (Unisinos) José Ivo Follmann (Unisinos) Luciana Paulo Gomes (Unisinos) Luiz Felipe Barboza Lacerda (Unicap) Márcia Cristina Furtado Ecoten (Unisinos) Rosangela Fritsch (Unisinos) Tiago Luís Gil (UnB) H116 O habitar do ensinar e do aprender : as diferentes dimensões da/na educação OnLIFE / organização Luciana Backes...[ et al.] [recurso eletrônico]. – São Leopoldo: Casa Leiria, 2023. Disponível em: <http://www.guaritadigital.com.br/casaleiria/ acervo/educacao/diferentes/index.html> Financiamento: FAPERGS DOI 10.29327/5276539 ISBN 978-85-9509-074-3 1. Educação – Inovações tecnológicas. 2. Tecnologia educacional – Metodologia e práticas pedagógicas. 3. Tecnologia educacional – Pesquisa e tendências. 4. Educação digital – Crianças e adolescentes – Direitos fundamentais. I. Backes, Luciana (Org.). CDU 37:004 371.3

DEDICATÓRIA Está obra continua sendo dedicada a todos os estudantes, professores e pesquisadores, independente do nível de ensino, que contribuem para esta ecologia de interação entre entidades humanas e não humanas.

AGRADECIMENTOS Às agências de fomento que financiam as pesquisas: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul à Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos; à Universidade LaSalle Canoas - UniLaSalle.

O adolescente moderno aprende valores, virtudes que deve respeitar, mas vive nummundo adulto que os nega. Prega-se o amor, mas ninguém sabe em que ele consiste porque não se veemas ações que o constituem, e se olha para ele como a expressão de um sentir. Ensina-se a desejar a justiça, mas os adultos vivemos na falsidade. A tragédia dos adolescentes é que começam a viver ummundo que nega os valores que lhes foram ensinados. O amor não é um sentimento, é um domínio de ações nas quais o outro é constituído como um legítimo outro na convivência. A justiça não é um valor transcendente ou um sentimento de legitimidade: é um domínio de ações no qual não se usa a mentira para justificar as próprias ações ou as do outro. Humberto Maturana, 1998.

12 O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO OnLIFE SUMÁRIO APRESENTAÇÃO – O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO OnLIFE .................. 15 Luciana Backes Eliane Schlemmer Jones Godinho Ana Maria Marques Palagi LER E ESCREVER: UMA ANÁLISE DOS PENSAMENTOS DA ESCRITA E DA LEITURA COM ALUNOS DO 3º ANO NO RETORNO DA COVID-19 (2020-2021) .......................................................................... 31 Fabiane Aparecida Parcianello de Almeida Luciane Priori Monteiro Luciana Backes BOLSISTAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA JÚNIOR: EXPERIÊNCIAS E APRENDIZAGEM ................................................................................... 49 Mayra Guterres Regis Frison Vera Lucia Felicetti PRESENÇA E COPRESENÇA? REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO REMOTO EMERGENCIAL NA PÓSGRADUAÇÃO STRICTO SENSU ..,......................................................... 63 Juliani Menezes dos Reis Fabrícia Py Tortelli Noronha Naidi Carmen Gabriel Luciana Backes Karen Cardoso Barchinski CONECTIVIDADE E ROBÓTICA KIDS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: VALORIZAÇÃO DA DIVERSIDADE, CRIATIVIDADE DISCENTE E COOPERAÇÃO ........................................................................................ 79 Nydia Maria Rosa de Pinho Thamy Cristine Rocha REFLEXÕES SOBRE O USO DO GOOGLE SALA DE AULA PARA PRÁTICAS HÍBRIDAS NO ENSINO FUNDAMENTAL ......................... 93 Ariane Souza Bonato Janaína Mota Fidelis Rosana da Silva Krum Vanessa Hoch

13 O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO OnLIFE ESCAPE GAME EM BUSCA DE UM PORTO SEGURO: UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA INVENTIVA NO ENSINO E APRENDIZAGEM DE GEOGRAFIA ......................................................................................... 109 Bruna Elisa Schuster Mário Régis Gonçalves Rafael Lopes de Moraes Joseane Rosa Rockenbach Eliane Schlemmer O RPG DE MESA (JOGO DE INTERPRETAÇÃO DE PAPÉIS) NA MOTIVAÇÃO DE NERDS E GEEKS A PRATICAREM ATIVIDADES FÍSICAS ................................................................................................. 121 Mario Fernando Guimarães Beltran COCRIAÇÃO DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INVENTIVAS NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO OnLIFE: O JOGO/CAMPANHA SEGURANÇA NA INTERNET .............................................................. 137 Bruna Elisa Schuster Glaucia Silva da Rosa João Velasques Paladini Eliane Schlemmer PERSPECTIVAS INICIAIS DA ROBÓTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL NA REDE MUNICIPAL DE CANOAS ...... 153 Adriana da Silva Rocha Bianca Antunes Moreira Carmen Lucia Fontes Barbosa Daniele Izolina Guimarães Soares Rafael Saraiva Lapuente O RESGATE DA LINGUAGEM LOGO: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA PRÁTICA INVENTIVA NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA .................................................................................................. 169 João Velasques Paladini PRODUÇÃO DE OBJETOS DIGITAIS DE APRENDIZAGEM POR ACADÊMICOS DO CURSO DE LETRAS PARA O ENSINO DA COMPREENSÃO LEITORA .................................................................. 183 Kári Lúcia Forneck Carolina Taís Werlang Laura Thomas Horn Lucimara Fiorese SCRATCH: UMA LINGUAGEM PARA A CONSTRUÇÃO DE NARRATIVAS DIGITAIS ...................................................................... 199 Anibal Lopes Guedes

14 O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO OnLIFE PROJETO PIPE: DO CONCRETO AO FORMAL BRINCANDO ........... 211 Karen Selbach Borges Fabrícia Py Tortelli Noronha EDUCAÇÃO DIGITAL NA ESCOLA: CULTURA DE PAZ E CIDADANIA DIGITAL ................................................................................................ 225 Gabriela Cruz Amato Teixeira SOBRE OS AUTORES ........................................................................... 241

15 APRESENTAÇÃO – O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO OnLIFE Luciana Backes Eliane Schlemmer Jones Godinho Ana Maria Marques Palagi O Grupo Internacional de Pesquisa Educação Digital (GPe-dU – UNISINOS/CAPES-CNPq)1 iniciou, em 2016, a pesquisa intitulada “A Cidade como Espaço de Aprendizagem: games e gamificação na constituição de Espaços de Convivência Híbridos, Multimodais, Pervasivos e Ubíquos para o desenvolvimento da Cidadania”, financiada pelo Edital Universal, na qual teve origem o We, Learning with the Cibricity – WLC. O evento foi construído a partir da necessidade da criação de um espaço-tempo comum de convivência e compartilhamento dos games e projetos gamificados desenvolvidos pelas crianças e adolescentes na cidade, bem como das práticas pedagógicas desenvolvidas pelos professores, realizadas nas escolas participantes do projeto, ao longo dos anos letivos em que o projeto se desenvolveu. Assim, o WLC foi realizado em 2016 seguido por quatro edições, até o ano de 2019, na modalidade presencial física. O WLC, inspirado no “espírito” do projeto de pesquisa, contemplou significativamente o conceito de “cidadania”, entre outros, com o intuito de desenvolver a autonomia e a participação de escolas, professores(as) e alunos(as), no evento. Então, todos(as) foram desafiados(as) a assumir o protagonismo da organização e realização doWLC, cujo nome, identidade visual e desenho metodológico foram propostos e elaborados por estudantes das escolas integrantes do projeto em conjunto e comum acordo, com o GPe-dU-UNISINOS/CNPq. 1 Criado em 1998 e cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil do CNPq em2004. (http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/8307358368047424) é liderado pela Profa. Dra. Eliane Schlemmer. DOI 10.29327/5276539.1-15

16 APRESENTAÇÃO – O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO ONLIFE A pesquisa teve continuidade no projeto “A Cibricidade como Espaço de Aprendizagem: Praticas pedagogicas inovadoras para a promoço da cidadania e do desenvolvimento social sustentável”, financiado pelo Edital “Anos finais do Ensino Fundamental: adolescências, qualidade e equidade na escola pública” da Fundação Carlos Chagas e Itaú Social, desenvolvido nos anos de 2019 a 2022. A articulação entre pesquisa, ensino (superior, pós-graduação e educação básica) e extensão (formação continuada de professores e a organização e realização do evento WLC) tomou tal dimensão, que fez surgir oportunidades de compartilhamento de projetos realizados também pelos professores, em um profícuo diálogo com pesquisadores, bem como a ampliação geográfica dos participantes, extrapolando as fronteiras nacionais. Essa história está sendo construída a partir das diferentes temáticas escolhidas e propostas em conexão com o que vivemos com o outro, sendo esse outro entendido como tudo que faz parte da nossa ecologia. A primeira edição do WLC aconteceu em 2016, em um único dia e foi realizada no auditório da Unitec, na Unisinos, com o envolvimento de quatro escolas gaúchas, três do municípios de São Leopoldo e uma do município de Bom Princípio. A segunda edição aconteceu em 2017, no Auditório Central da Unisinos, ainda em um único dia, contando com o envolvimento de quatro escolas do município de São Leopoldo e duas escolas do município de Esteio. Destacamos o aumento do número de escolas participantes e a ampliação geográfica. A terceira edição do WLC aconteceu em 2018 no Auditório Padre Werner, na Unisinos, organizados em três dias de evento e com a presença de quatorze escolas municipais, sendo sete do município de São Leopoldo, cinco escolas de Novo Hamburgo e duas do município de Bento Gonçalves. Destacamos o intenso envolvimento de estudantes, professores, gestores, pais, bem como professores-pesquisadores da UFS (Universidade Federal do Sergipe) vinculados ao projeto PROMOB CAPES/Fapitec. Na quarta edição do WLC, realizado em 2019, também em três dias, contamos com a participação de estudantes, professores, gestores e pais dos municípios de

17 LUCIANA BACKES, ELIANE SCHLEMMER, JONES GODINHO E ANA MARIA MARQUES PALAGI São Leopoldo, Novo Hamburgo, Esteio e Canoas, ampliando o espaço geográfico e tendo a participação de um conferencista internacional da Universidade Aberta de Portugal – UAB. Iniciamos o ano de 2020 com várias incertezas e questionamentos sobre a pandemia ocasionada pela Covid-19. A comunidade escolar adaptou-se aos moldes do ensino remoto emergencial (ERE) para o fazer pedagógico, readaptando suas práticas em congruência com a realidade vivenciada pelos professores e estudantes, a fim de atender às recomendações da Organização Mundial da Saúde – OMS. Então a quinta edição do WLC foi realizada na modalidade totalmente on-line, ampliando o espaço de discussão com a realização da primeira edição do RIEOnLIFE (RIEOnLIFE2020), evento promovido pela Rede Internacional de Educação OnLIFE. Essa convivência teve o objetivo de discutir a temática “O Habitar do Ensinar e do Aprender num Mundo Hiperconectado”, contemplando as problematizações do tempo presente e potencializando a rede, na configuração de ecossistemas conectivos de inovação para a Educação OnLIFE. A Educação OnLIFE é compreendida como uma educação ligada, conectada (On) na vida (LIFE), cujos processos de ensino e de aprendizagem emergem de problematizações do tempo presente e se desenvolvem num percurso inventivo, em atos conectivos transorgânicos (entre entidades humanas e não humanas), num mundo movente constituído por realidades hiperconectadas e complexas. Trata-se, portanto, de uma educação transubstanciada e cibricidadã. Por cibricidade compreende-se essa cidade híbrida que de uma geografia física se conecta e se amplia para outras “geografias” digitais, informacionais e conectivas. (SCHLEMMER, 2020). Nessa convivência, a conectividade ocorreu no desenvolvimento de diferentes atividades, provenientes de pesquisas e experiências realizadas emcontextos educativos, contemplando níveis e espaços diversos: da educação infantil à pós-graduação stricto sensu, das regiões sul ao norte do Brasil e de países como Portugal, Espanha, Cabo Verde eMoçambique. Dessa conectividade, organizamos e publicamos o e-book “O Habitar do Ensinar e do Aprender OnLIFE: Vivências na educação contemporânea”.

18 APRESENTAÇÃO – O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO ONLIFE Em 2021, com o prolongamento da pandemia da Covid-19, o VI WLC contou com a parceria do grupo de pesquisa Convivência e Tecnologia Digital na Contemporaneidade COTEDIC UNILASALLE/CNPq2 e teve continuidade na modalidade online. No contexto pandêmico, tensionamos o conceito da cibricidade, isto é, essa cidade híbrida que de uma geografia física se amplia para outras “geografias” (digitais, informacionais, das redes). Nos conectamos para discutir os principais “Desafios do Paradigma da Educação OnLIFE. As reflexões foram sistematizadas no e-book “O Habitar do Ensinar e do Aprender: Desafios para/na/da Educação OnLIFE”. Nesse percurso, atentamos para o viver e conviver, atravessado por uma história de descobertas, guerras, dominação, crenças, catástrofes, progresso, ingresso,... na reconstrução de um pensamento ecológico que: Tem a ver com amor, perda, desespero e compaixão. Tem a ver com depressão e psicose. Com capitalismo e com o que pode existir depois do capitalismo. Tem a ver com espanto, mente aberta e maravilhamento. Com dúvida, confusão e ceticismo. Com conceitos de espaço e tempo. Com deleite, beleza, feiura, nojo, ironia e dor. Consciência e percepção. Ideologia e crítica. Leitura e escrita. Tem a ver com raça, classe e gênero. Com sexualidade. Com ideias sobre o eu e os estranhos paradoxos da subjetividade. Tem a ver com a sociedade. Tem a ver com a coexistência (MORTON, 2023, p. 14). Nos encontramos na efervescência da vida (LIFE). Ao perceber a ampliação do tempo e do espaço, nos movimentamos de maneira interconectada, ao mesmo tempo que tomamos consciência sobre as formas de viver e conviver. Habitamos um país de dimensão continental, as regiões geográficas (incluindo as outras geografias) variam e se multiplicam entre si, fazendo emergir as diferentes realidades para o ensinar e o aprender, sejam a partir de redes públicas, estadual ou municipal, rede privada, ou redes aleatórias, extrapolando as fronteiras políticas. Assim, ainda é um desafio compreender o habitar do ensinar e do aprender nas cidades que passaram 2 Criado em 2016 (http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/213783) é liderado pela Profa. Dra. Luciana Backes e está sediado na Universidade La Salle.

19 LUCIANA BACKES, ELIANE SCHLEMMER, JONES GODINHO E ANA MARIA MARQUES PALAGI a respeitar a necessidade de distanciamento social, mantendo-se ligadas, conectadas (On). Nesse viver e conviver cotidiano, as diferentes dimensões tornaram-se ainda mais visíveis, a diversidade ficou latente e as fronteiras passaram a se caracterizar como porosas, configurando espaços cada vez mais híbridos. O ano de 2022 iniciou com as problemáticas referentes às: configurações das convivências no ensinar e no aprender em contexto pandêmico, entre 2020 e 2021; e reconfiguração dessas convivências em 2022 num contexto de cidadania digital, a partir de espaços de discussão, compartilhamento de conhecimentos, experiências e reflexões entre estudantes e professores do Educação Básica, pesquisadores e professores da Graduação e da Pós-Graduação. Assim, o WLC2022, em sua sétima edição, contemplou essas problemáticas na temática central “O Habitar do Ensinar e do Aprender: As diferentes dimensões da/na Educação OnLIFE” e foi realizado de forma híbrida e multimodal, na Universidade La Salle Canoas. Nesse momento de readaptação, configuramos práticas que promoveram a inovação, o empreendedorismo, a cidadania e o protagonismo social, articuladas ao coletivo, bem como refletimos sobre as metodologias e práticas pedagógicas a partir da inventividade num contexto de Educação Híbrida e Educação OnLIFE. Para tanto, esse diálogo foi realizado entre representantes das escolas de educação básica (estudantes, professores e gestores) e integrantes do GPe-dU-UNISINOS/CNPq e do COTEDIC-UNILASALLE/CNPq, configurando um espaço ecológico para as aprendizagens relacionadas à temática do evento. As reflexões desenvolvidas durante a realização doWLC 2022 estão interconectadas às diferentes pesquisas: A Cibricidade como Espaço de Aprendizagem: Práticas pedagógicas inovadoras para a promoção da cidadania e do desenvolvimento social sustentável; Transformação Digital na Educação: Ecossistemas de Inovação em contexto híbrido e multimodal3; 3 Vinculada a Bolsas de Produtividade em Pesquisa CNPq - Chamada CNPq nº 06/2019

20 APRESENTAÇÃO – O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO ONLIFE Recontextualizar as Ciências e a Contação de Histórias para os processos de ensino e de aprendizagem da educação básica à formação de professores a nível internacional4; Convivências e Rede(s): Configuração de ecossistemas de aprendizagem. Entendemos como urgente e emergente configurar espaços de convivência para além das pesquisas, por meio de DiáLOGOS sobre a sociedade hiperconectada, a Educação OnLIFE, a cultura emergente, a natureza e as formas de lazer, que se transformam a partir de diferentes hibridismos: de espaços, tempos, tecnologias, linguagens, presenças, culturas e modalidades. Assim, após o período da pandemia Covid-19, tornou-se cada vezmais evidente a diversidade e as diferenças nas formas de viver e conviver, identificadas tanto na constituição de redes de apoio e de solidariedade, na ampliação das formas de comunicação, compartilhamento de diferentes culturas, como em manifestações racistas, bullying, desinformação e fake news. Nesse caos, é iminente discutir sobre a saúde mental!!! Na hiperconectividade, as dinâmicas de conexão e de desconexão compõem a contemporaneidade, de forma natural, saudável e sustentável. Então, o desafio consiste na articulação entre a vida (LIFE) incontornavelmente híbrida e as questões que tentam superar as dicotomias e os binarismos, que trazem o empobrecimento das interações, comunicações e o sofrimento da sociedade que se encontra entre o on-line, pause e o off-line. Na superação, estamos construindo o OnLIFE, a partir de uma compreensão ecológica conectiva que implica, justamente, a superação de um pensamento que separa, divide, polariza e centraliza. Na construção das formas de pensar o paradigma da Educação OnLIFE, somos instigados a superar uma compreensão de sociedade restrita somente aos humanos e uma visão de mundo antropocêntrica, abrindo-nos aos hibridismos entre natureza-técnica-cultura, as redes entre humanos e não humanos como aprendemos com Latour, Serres e Di Felice, o que propicia a emergência de um pensamento ecológi4 CAAE: 98789018.5.0000.5307 (Edital FAPERGS SEBRAE/RS 03/2021).

21 LUCIANA BACKES, ELIANE SCHLEMMER, JONES GODINHO E ANA MARIA MARQUES PALAGI co-conectivo em rede. Isso nos ajuda a compreender os desafios da/com/na humanidade e a caminhar na direção do outro, que ficou perdido pelo caminho. Sim, ainda temos as mazelas que permeiam a humanidade, tais como: aquecimento global, catástrofes, poluição, espécies em extinção, escassez dos recursos naturais, guerra, desigualdade social, pobreza, exclusão e todas formas de preconceito produzidas pelo humano. Neste cenário, o WLC 2022 se configurou na perspectiva da promoção da VIDA digna, que se torna ainda mais importante quando diz respeito à educação. Uma educação para a sustentabilidade, a partir do ato conectivo transforgânico, na perspectiva reticular. Para além dos DiáLOGOS configuramos os espaços para a convivência, por meio de Ateliê, COnversAÇÕES e COMpartilhAÇÕES entre crianças, adolescentes, professores e pesquisadores sobre o habitar do aprender e do ensinar no contexto da cibricidade. As emergências propiciadas na conectividade, a partir de diferentes dimensões para a Educação OnLIFE, atravessam as reflexões dos autores, presentes nos textos selecionados para esse e-book. Os trabalhos avaliados pela comissão científica e apresentados/socializados nas COnversAÇÕES, compõem os capítulos desta obra que destaca o HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER e suas diferentes dimensões da/na Educação OnLIFE. Para tanto, os capítulos foram organizados em trilhas temáticas, visando conectar as ideias e permitir o encadeamento teórico, apresentados pelos autores nos textos. AO TRILHAR PELOS DIÁLOGOS ENTRE DIFERENTES DIMENSÕES: TRANSFORMAÇÃO PARA/NA/DA EDUCAÇÃO ONLIFE Na sociedade hiperconectada, a educação, cultura, economia e lazer se transformam a partir das tecnologias tanto digitais como analógicas, fazendo emergir a diversidade e as diferenças. Até que ponto essa hiperconectividade se dá de forma natural, saudável e sustentável? Diante disto, o primeiro texto intitulado Ler e escrever: uma análise dos pensamentos da escrita e da leitura com alunos do

22 APRESENTAÇÃO – O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO ONLIFE 3º ano no retorno da Covid-19 (2020-2021), de autoria de Fabiane Aparecida Parcianello de Almeida, Luciane Priori Monteiro e Luciana Backes, apresentou a análise do estudo sobre o desenvolvimento do pensamento em relação à escrita e leitura de crianças de duas turmas do ensino fundamental da rede pública de Canoas. O objetivo foi compreender o desenvolvimento do pensamento em estudantes do 3º ano do ensino fundamental sobre a escrita e a leitura, a partir de um instrumento diagnóstico, no contexto de retorno da Covid-19 (20202021). O trabalho evidenciou que que, apesar dos desafios do ensino remoto, a experiência de ensino analisada propiciou aprendizagem para o desenvolvimento de leitura e escrita em um percentual significativo de estudantes. O segundo texto, Bolsistas de Iniciação Científica Júnior: experiências e aprendizagem, as autoras Mayra Guterres Regis Frison e Vera Lucia Felicetti, apresentam uma revisão de literatura que buscou identificar como os estudos com bolsistas de Iniciação Científica Júnior se apresentam em teses e dissertações defendidas no âmbito nacional. A análise demonstrou os pontos positivos nas experiências vivenciadas pelos bolsistas e as oportunidades de interação entre a Educação Básica e a Educação Superior; a oportunidade de aprender sobre pesquisa e Iniciação Científica desde o Ensino Médio; o amadurecimento e o crescimento pessoal dos bolsistas; a projeção sobre o futuro e a continuação da formação acadêmica e profissional após a conclusão do Ensino Médio. No terceiro texto, Presença e copresença? Reflexões sobre a prática pedagógica no ensino remoto emergencial na Pós-graduação Stricto Sensu, Juliani Menezes dos Reis, Fabrícia Py Tortelli Noronha, Naidi Carmen Gabriel, Luciana Backes e Karen Cardoso Barchinski, afirmam que a partir da pandemia da Covid-19, o viver e conviver foram configurados por meio das tecnologias digitais (TD). O objetivo deste capítulo consiste em refletir sobre as transformações no processo de ensino e de aprendizagem provocadas pela necessidade de distanciamento físico em um Programa de pós-graduação em Educação (mestrado e doutorado), da Universidade La Salle. As reflexões foram articuladas com a teoria da Biologia do Conhecer e aproximadas

23 LUCIANA BACKES, ELIANE SCHLEMMER, JONES GODINHO E ANA MARIA MARQUES PALAGI com a filosofia da experiência de Dewey, a partir das convivências estabelecidas nas disciplinas, orientações, bancas e grupo de pesquisa Convivência e Tecnologia Digital na Contemporaneidade – COTEDIC UNILASALLE/CNPq. Os resultados indicam que práticas pedagógicas autorreguladoras dos processos de ensinar e de aprender, a partir da problematização e perturbação para a interação, criação e cocriação, possibilitam a estudantes e educadores se fazerem presentes e copresentes em espaços digitais virtuais. NA TRILHA DAS METODOLOGIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO CONTEXTO DA DIGITALIDADE E DA CONECTIVIDADE Configuramos espaços de convivência em congruência com o meio. Atualmente, o meio constitui-se num híbridismo (quanto aos espaços, tempo, tecnologias, linguagens, presenças, culturas, modalidades), tornando a congruência dinâmica e complexa. Então, no contexto educacional emerge a questão: Como planejar, desenvolver, acompanhar e analisar ações articuladas com o contexto da digitalidade e da conectividade? É neste contexto que se insere o quarto texto, intitulado Conectividade e Robótica Kids na Educação Infantil: valorização da diversidade, criatividade discente e cooperação, de autoria de Nydia Maria Rosa de Pinho e Thamy Cristine Rocha. As autoras buscaram relatar a reflexão da prática e evidenciar o protagonismo e a criatividade na educação infantil com a utilização do Explorador Kids, demonstrando a importância deste recurso tecnológico e incentivando o uso na rede municipal de ensino de Canoas. A proposta com robótica educativa está atrelada à valorização da diversidade infantil, visto que trata-se de crianças com diferentes faixas etárias e preferências que, por sua vez, preponderam por meio de curiosidades, ideias e falas, possibilidades pedagógicas com a tecnologia digital, construindo com criatividade e cooperação registros gráficos para inovar o funcionamento do tapete “em branco” do Explorador Kids para “os amigos da outra escola”. Os resultados demonstram que a conectividade entre discentes e docentes contri-

24 APRESENTAÇÃO – O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO ONLIFE buiu para uma experiência lúdica, afetiva e divertida, transformando a educação e a aprendizagem. O quinto texto traz como temática Reflexões sobre o uso do Google Sala de Aula para práticas híbridas no ensino fundamental, das autoras Ariane Souza Bonato, Janaína Mota Fidelis, Rosana da Silva Krum e Vanessa Hoch. O trabalho visou analisar o perfil docente e discente em relação ao uso da plataforma Google Sala de Aula em turmas do ensino fundamental na Rede Municipal de Canoas. Para tanto, foram analisadas práticas híbridas emduas escolas distintas através de umEstudo de Caso Coletivo. Os resultados revelaram que apesar dos obstáculos sociais e tecnológicos que podem, por vezes, estar presentes no ensino público, existe uma evolução paulatina com relação às práticas híbridas, a qual é sentida e vivida de diferentes formas, de acordo comas características e possibilidades de cada discente e docente. TRILHANDO PELOS JOGOS E GAMIFICAÇÃO NA EDUCAÇÃO A ludicidade e a imersão sempre estiveram presentes no cotidiano de jogadores em diversas plataformas, desde os tabuleiros, as cartas e até as mídias digitais. Nos últimos anos essas categorias se somaram a outras características presentes no pensamento de jogos, como a definição de regras, desafios e objetivos, as narrativas e a representação por personagens no desenvolvimento de práticas pedagógicas. Como professores, alunos e pesquisadores dão um “start” para jogar e passar por fases diferentes em suas metodologias? O sexto texto, intitulado Escape Game em busca de um porto seguro: uma prática pedagógica inventiva no ensino e aprendizagem de Geografia, dos autores Bruna Elisa Schuster, Mário Régis Gonçalves, Rafael Lopes de Moraes, Joseane Rosa Rockenbach e Eliane Schlemmer, discute o resgate do engajamento dos estudantes no retorno às atividades na modalidade presencial-física. O objetivo foi apresentar o processo de cocriação e desenvolvimento de um jogo do tipo escape game em uma escola municipal de Bom Princípio/RS, no qual participaram es-

25 LUCIANA BACKES, ELIANE SCHLEMMER, JONES GODINHO E ANA MARIA MARQUES PALAGI tudantes do sexto ao nono ano, em grupos de cinco integrantes. Como resultado, os autores evidenciam o engajamento e envolvimento dos estudantes, além do interesse em ampliar seus conhecimentos no componente curricular de Geografia, uma vez que perceberam sua aplicação prática. Afirmam ainda que práticas pedagógicas como escape games, aproximam os estudantes do ambiente escolar e resgatam a curiosidade em construir novos conhecimentos. No sétimo texto, O RPG de Mesa ( jogo de interpretação de papéis) na motivação de Nerds e Geeks a praticarem atividades físicas, de autoria de Mário Fernando Guimarães Beltran, levanta o seguinte questionamento: Como o RPG de mesa pode ajudar na motivação de Nerds e Geeks a praticarem atividades físicas? Partindo de uma pesquisa de campo, pautada no método indutivo, com uma abordagem qualitativa de tipo descritiva, exploratória e explicativa, foi acompanhado 5 voluntários que se consideravam Nerds ou Geeks da cidade de Manaus/AM, antes e depois das atividades físicas gamificadas. Como resultado, percebeu-se o aumento de interesse dos participantes por continuar a praticar essa versão das aulas de educação física com elementos de RPG. No oitavo texto, Cocriação de práticas pedagógicas inventivas no contexto da Educação OnLIFE: o Jogo/Campanha Segurança na Internet, os autores Bruna Elisa Schuster, Gláucia Silva da Rosa, João Velasques Paladini e Eliane Schlemmer, apresentam o desenvolvimento de uma prática pedagógica inventiva co-criada em/na rede ConectaKaT, que resultou na construção de um jogo/campanha com o objetivo de divulgar informações sobre segurança na internet e cuidados ao habitar as redes sociais. A proposta partiu da problematização do tempo/mundo presente inventadas pelas crianças e adolescentes que participam da atividade, com questões como: Quais são os cuidados que devemos ter ao habitar as redes? Como agir ao vivenciar uma situação de cyberbullying? Como criar senhas seguras? O jogo/campanha emergiu da vivência “Tô Ligado!” que é um dos movimentos da Rede ConectaKaT, onde os KaTs encontram-se comum especialista para conversar sobre temas que emergem na problematização do tempo/mun-

26 APRESENTAÇÃO – O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO ONLIFE do presente. Os autores concluem que esta ação contribui de maneira significativa para construção de práticas pedagógicas inventivas, gamificadas e cocriadas na perspectiva de uma Educação OnLIFE, bem como promove o desenvolvimento do protagonismo de crianças e adolescentes para uma Educação OnLIFE cidadã. A TRILHA DA ROBÓTICA E JOGOS/GAMIFICAÇÃO - “GAMES FOR CHANGE” Robôs e games já fazem parte do nosso cotidiano, algumas vezes de forma direta e, outras, indireta. Como articulamos a robótica e a ludicidade às práticas pedagógicas para engajar estudantes, desenvolver a criatividade e o raciocínio? Como podemos potencializar a construção do conhecimento por meio de atividades pedagógicas com robótica e games? Diante destes questionamentos, apresentamos o nono texto, intitulado Perspectivas iniciais da robótica na educação infantil e ensino fundamental na rede Municipal de Canoas, de autoria de Adriana da Silva Rocha, Bianca Antunes Moreira, Carmen Lucia Fontes Barbosa, Daniele Izolina Guimarães Soares e Rafael Saraiva Lapuente. O texto refere-se ao projeto de robótica educacional implementado na rede Municipal de Canoas, desenvolvido por um grupo de professores, participantes de um Curso de Especialização na Unilasalle, e reflete sobre essas experiências contemplando desde a educação infantil até os anos finais do ensino fundamental. Os autores enfatizama importância da construção de projetos coletivos pelos docentes, articulando história, realidade e a potencialidade da robótica para a aprendizagem. O décimo texto, intitulado O resgate da LinguagemLogo: relato de experiência de uma prática inventiva no contexto da educação básica, de autoria de João Velasques Paladini, propõe discutir o processo de ensino e de aprendizagem de matemática com base no pensamento teórico contemporâneo, apresentando reflexões sobre a experiência vivenciada enquanto professor- -pesquisador-cartógrafo. O texto tem origem em uma prática pedagógica inventiva realizada em uma escola de periferia do

27 LUCIANA BACKES, ELIANE SCHLEMMER, JONES GODINHO E ANA MARIA MARQUES PALAGI município de São Leopoldo/RS, desenvolvido no contexto do Grupo Internacional de Pesquisa Educação Digital – GPe-dU Unisinos/CNPq e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. A pesquisa se apropria do método cartográfico de pesquisa-intervenção para a produção e a análise dos dados. Em uma sociedade cada vez mais digitalizada e conectada, entende-se a necessidade de inventar práticas educativas que emergemna/ pela cultura digital. PARA TRILHAR NAS TECNOLOGIAS, APP E PLATAFORMAS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO As Tecnologias Digitais participam do nosso cotidiano, na organização da sociedade, nas relações pessoais e profissionais, ressignificando nosso tempo e espaços. Esse contexto desafia professores, pesquisadores e discentes a repensar os processos de ensino e aprendizagem, assim como metodologias e práticas pedagógicas. Como as tecnologias (especificamente aplicativos e plataformas digitais) podem potencializar o ensinar e o aprender? O décimo primeiro texto busca problematizar estes questionamentos. Intitulado Produção de Objetos Digitais de Aprendizagem por acadêmicos do Curso de Letras para o ensino da compreensão leitora, de autoria de Kári Lúcia Forneck, Carolina Taís Werlang, Laura Thomas Horn e Lucimara Fiorese, o texto relata o percurso de produção de roteiros de Objetos Digitais de Aprendizagem (ODA) e a virtualização desses objetos em um processo de colaboração entre professores, estudantes e pesquisadores da Universidade do Vale do Taquari/RS. A experiência oportunizou a concretização de uma proposta pedagógica diferenciada que deslocou o ensino da leitura para outro paradigma educacional, pensado e concebido na interface entre as temáticas da compreensão leitora, da formação docente e da interação com as tecnologias digitais, de modo a promover a coautoria, o engendramento e a educação OnLIFE. No décimo segundo texto intitulado Scratch: uma linguagem para a construção de narrativas digitais, o autor Anibal

28 APRESENTAÇÃO – O HABITAR DO ENSINAR E DO APRENDER: AS DIFERENTES DIMENSÕES DA/NA EDUCAÇÃO ONLIFE Lopes Guedes, apresenta o Scratch enquanto uma possibilidade de produção de narrativas digitais num contexto inventivo. O Scratch é uma linguagem de programação de código aberto produzida dentro de uma perspectiva que incentiva o pensamento computacional. Para tanto, o autor partiu de uma abordagem metodológica exploratória e vivencial, tendo como base o ateliê “Inventando com o Scratch”, desenvolvido no WLC 2022. Como resultados, aponta que o Scratch facilita a construção de processos inventivos que incentivam aprendizagens significativas dos sujeitos. Intitulado Projeto PIPE: do concreto ao formal brincando, o décimo terceiro texto, das autoras Karen Selbach Borges e Fabrícia Py Tortelli Noronha, apresenta o projeto Pipe a partir da sua fundamentação teórica nos pressupostos de Piaget, revelando o processo de fabricação do material, as possibilidades de uso, juntamente com o relato da experiência na disciplina de Lógica de Programação do curso superior de Sistemas para Internet, do IFRS. O Projeto Pipe visa oferecer às escolas acesso a um material concreto de baixíssimo custo que procura auxiliar no desenvolvimento da criatividade e do pensamento formal, além de promover a consciência sobre as possibilidades de reuso de materiais com fins educacionais. As atividades realizadas com o Pipe demonstraram que o uso do material concreto demanda abstrações e a realização de operações mentais próprias dos estágios operatórios. Além disso, quando usado em práticas pedagógicas construtivistas, contribuiu para ressignificar o processo de ensino e de aprendizagem. O décimo quarto texto, intitulado Educação Digital na Escola: cultura de paz e cidadania digital, de Gabriela Cruz Amato Teixeira, analisa a importância do ensino da Educação Digital nas escolas partindo da perspectiva do direito fundamental à educação, com o objetivo de verificar de que modo uma visão ampliada da Educação poderá contribuir para a garantia dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes no contexto digital. A autora realizou uma discussão a respeito da Educação Digital com foco principal na educação para o uso das tecnologias, com a finalidade de disseminar uma cultura digital, voltada para a formação de cidadãos capazes de construir

29 LUCIANA BACKES, ELIANE SCHLEMMER, JONES GODINHO E ANA MARIA MARQUES PALAGI um ambiente digital mais saudável, seguro e respeitoso para todos os usuários. Convidamos você, para se aventurar nas trilhas, percorrendo as páginas que seguem, explorando os trabalhos que compõem este e-book, de forma a compreender “As diferentes dimensões da/na Educação OnLIFE”, que emergiram dos olhares atentos dos autores que aqui compõem a obra. E você, quais são as diferentes dimensões que identifica na/da Educação OnLIFE? Luciana Backes Eliane Schlemmer Jones Godinho Ana Maria Marques Palagi REFERÊNCIAS MORTON, Timothy. O pensamento ecológico. Tradução de Renato Prelorentzou. São Paulo: Quina, 2023. SCHLEMMER, Eliane. A cidade como espaço de aprendizagem: games e gamificação na constituição de Espaços de Convivência Híbridos, Multimodais, Pervasivos e Ubíquos para o desenvolvimento da Cidadania, 2020. (Relatório de pesquisa, referente ao Edital: UNIVERSAL MCTI/ CNPq No 01/2016. Número do Processo: 425903/2016-8.

31 LER E ESCREVER: UMA ANÁLISE DOS PENSAMENTOS DA ESCRITA E DA LEITURA COM ALUNOS DO 3º ANO NO RETORNO DA COVID-19 (2020-2021) Fabiane Aparecida Parcianello de Almeida1 Luciane Priori Monteiro2 Luciana Backes3 Resumo: O artigo apresenta a análise do estudo sobre o desenvolvimento do pensamento em relação à escrita e leitura de crianças de duas turmas do ensino fundamental da rede pública de Canoas. O objetivo do artigo é compreender o desenvolvimento do pensamento em estudantes do 3º ano do ensino fundamental sobre a escrita e a leitura, a partir de um instrumento diagnóstico, no contexto de retorno da Covid-19 (20202021). A pesquisa é de cunho qualitativo e quantitativo, que utiliza como metodologia o estudo de caso, em que analisamos os gráficos gerados a partir dos resultados do pré-teste aplicado nas turmas das professoras que participaram do curso de extensão “Quem conta um conto, aumenta um ponto? Recontextualizar as ciências por meio de histórias”. Observamos, que apesar dos desafios do ensino remoto, a experiência de ensino analisada neste artigo, propiciou aprendizagem para o desenvolvimento de leitura e escrita em um percentual significativo de estudantes. Palavras-chave: Leitura e Escrita. Aprendizagem. Alfabetização. Recontextualizar as Ciências. 1 Pós-graduada em Psicopedagogia clínica e institucional pela Uniasselvi. Professora da rede municipal de Canoas/RS. E-mail: pacianellofabiane@gmail.com. 2 Pós-graduada em Psicopedagogia institucional pela UFRGS. Professora da rede municipal de Canoas/RS. E-mail: lucianepriori@gmail.com. 3 Pós-doutora em Science Social pela Université Paris Descartes - Paris V - Sorbonne. Professora no Programa de Pós-graduação em Educação na Universidade La Salle, Canoas, Brasil. E-mail: luciana.backes@unilasalle.edu.br. DOI 10.29327/5276539.1-1

32 LER E ESCREVER: UMA ANÁLISE DOS PENSAMENTOS DA ESCRITA E DA LEITURA COM ALUNOS DO 3º ANO NO RETORNO DA COVID-19 (2020-2021) 1. INTRODUÇÃO A pandemia da Covid-19 (2020-2021) impôs à sociedade a adoção de algumas medidas de prevenção como o distanciamento social, o uso de máscaras e novas normas de higiene. Nas escolas, tambémhouve alterações, como o ensino remoto, a partir de 19 de março de 2020, que as deixaram fechadas por vários meses. Os alunos assistiam aulas e recebiam tarefas de forma on-line. Após 1 ano e 3 meses, as escolas de Canoas retornaram ao ensino presencial, porém com muitas restrições de convívio. O período de ensino remoto foi muito complexo para toda a comunidade escolar, pois a aprendizagem dos estudantes foi prejudicada com um ensino on-line que não atingia todos os alunos, criando uma situação de preocupação para os professores, pais e gestores. O que fazer para ajudar crianças que em 2019 estavam na educação infantil, e em 2020 ingressaram no primeiro ano do ensino fundamental e tiveram que estudar em casa? Em2022, essas crianças estão no terceiro ano do ensino fundamental, completando o período escolar correspondente a alfabetização, conforme previsto na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), porém, com uma lacuna de vivências e aprendizagens no espaço físico escolar, entre seus pares e professores, suas aprendizagens foram modificadas em função do período de ensino remoto emergencial. Nesse contexto de incertezas vamos olhar para um grupo de crianças que estão no 3º ano do ensino fundamental e que pertencem a rede municipal de ensino da cidade de Canoas. Mais da metade destes estudantes acompanharam as atividades propostas pela escola no período de ensino remoto emergencial, pois tinham aulas semanais via Meet, assistiam a videoaulas para construção de jogos pedagógicos sobre alfabetização, receberam materiais de apoio, como livros didáticos, kit de jogos e materiais artísticos. As professoras acompanhavam suas produções através da plataforma Google Sala de Aula, na qual os estudantes recebiam roteiros semanais de atividades para serem realizadas no caderno, nos livros didáticos e nos espaços da casa. Embora essas ações tenham sido

33 FABIANE APARECIDA PARCIANELLO DE ALMEIDA, LUCIANE PRIORI MONTEIRO E LUCIANA BACKES realizadas, lacunas na aprendizagem foram observadas pelos professores no retorno às aulas no ano de 2022. Em março de 2022, uma parceria entre a Universidade La Salle e a Secretaria Municipal de Educação de Canoas, ofertou aos professores das turmas de 3º ano do ensino fundamental da rede pública de Canoas, um curso de extensão “Quem conta um conto, aumenta um ponto? Recontextualizar as ciências por meio de histórias” que faz parte do projeto “Recontextualizar as Ciências e a Contação de Histórias para os Processos de Ensino e de Aprendizagem da Educação Básica a Formação de Professores a nível Internacional”, financiado pela Fundação de Amparo à pesquisa do Estado do RS (Fapergs), para discutir ideias sobre comomelhorar a alfabetização dessas crianças pertencentes ao município de Canoas e realizar umpré-teste para identificar as lacunas que precisam ser trabalhadas pedagogicamente. A partir dos resultados obtidos no pré-teste do Projeto, temos o problema de pesquisa: como os estudantes do 3º ano do ensino fundamental desenvolvem o pensamento sobre a escrita e a leitura, a partir de um instrumento diagnóstico, no contexto de retorno da Covid-19 (2020-2021)? Para embasar a alfabetização citamos Ferreiro e Teberosky (1999) que compreende o desenvolvimento das conceitualizações infantis sobre a língua escrita; Soares (2021) com os estudos sobre alfabetização e os usos sociais da escrita; Morais (2019) e Adams (2006) para explicar sobre a consciência fonológica e para explicar a leitura utilizamos Kleiman (2004). O presente artigo se designa como um estudo de caso, em que sua estrutura textual está organizada em 4 momentos: (1) abordamos o processo de alfabetização com seus pressupostos teóricos; (2) explicitamos a metodologia da pesquisa; (3) analisamos os gráficos com os resultados das correções do instrumento diagnóstico; (4) apresentamos as considerações finais refletindo sobre a alfabetização no contexto da Covid-19 (2020-2021).

34 LER E ESCREVER: UMA ANÁLISE DOS PENSAMENTOS DA ESCRITA E DA LEITURA COM ALUNOS DO 3º ANO NO RETORNO DA COVID-19 (2020-2021) 2. METODOLOGIA A escolha dos sujeitos foi através do curso de extensão: “Quem conta um conto, aumenta um ponto? Recontextualizar as ciências por meio de histórias” que fazem parte do projeto “Recontextualizar as Ciências e a Contação de Histórias para os Processos de Ensino e de Aprendizagem da Educação Básica a Formação de Professores a nível Internacional”. Uma proposta de formação para professores do 3º ano do ensino fundamental da rede municipal de Canoas. Os sujeitos são de duas turmas do 3º ano, totalizando 42 crianças na faixa etária de 8 a 9 anos, de uma escola municipal de Canoas, sendo a professora participante do curso de extensão. A escola fica em um bairro predominantemente residencial, com transporte público, saneamento básico, pavimentação asfáltica, e as famílias possuem condições econômicas básicas de compra e preocupam-se com a aprendizagem dos estudantes. O objetivo da pesquisa é identificar o desenvolvimento do pensamento em estudantes do 3º ano do ensino fundamental sobre a escrita e a leitura, a partir de um instrumento diagnóstico, no contexto de retorno da Covid-19 (2020-2021). O método usado para a pesquisa foi o estudo de caso que, conforme Yin (2003), é uma investigação empírica, que analisa um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto atual, em que os limites entre o contexto e o fenômeno não podem ser claramente definidos. O estudo de caso elucida as relações causais em ações da vida real, fazendo uma descrição das intervenções em um contexto concreto que teve como objetivos específicos: analisar as hipóteses sobre a escrita dos alunos do 3º ano do ensino fundamental; identificar os processos realizados para leitura; diagnosticar o conhecimento acerca da leitura e escrita em estudantes do 3º ano do ensino fundamental através do pré-teste. No início do curso de extensão, em maio de 2022, foi realizado com as turmas do 3º ano o pré-teste, um instrumento com a finalidade de diagnosticar o nível da escrita e leitura dos alunos através da hipótese de escrita de palavras e textos. Esta avaliação objetivou verificar a consciência fonológica;

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